Novamente nos
deparamos com mais um filme de seqüência e como em todo o filme de seqüência
que se preze, temos abordada a clássica polêmica: estariam os roteiristas e
produtores da indústria cinematográfica sofrendo um fortíssimo lapso de
criatividade? Ou estariam eles aproveitando o sucesso obtido com o(s)
episódio(s) anterior(es) da franquia e almejando realizar um novo blockbuster sem necessitar realizar um
enorme esforço intelectual por parte dos envolvidos com a obra, já que a
franquia do filme por si só já se revela forte o bastante para atrair milhares
de pessoas aos cinemas? Ou seria a junção das duas hipóteses supracitadas? Pois
eu aposto nesta última, dando muito mais ênfase à segunda, é claro. E é isto
que esse “A Múmia – A Tumba do Imperador
Dragão” se revela, uma seqüência preguiçosa, oportunista e desnecessária,
cujo único propósito é arrecadar milhões de dólares com a bilheteria, sem ter
de se esforçar muito para tal, uma vez que o longa todo não possui uma única
ponta de originalidade, parecendo ter plagiado cada aspecto dos demais filmes
do gênero.
Ironicamente, na
pré-crítica do fantástico “Wall-E”,
havia comentado o quão enfadonha se tornaram as animações atuais em virtude à
falta de criatividade que compunha os seus roteiros. Ao invés de uma estória
bem desenvolvida vinda a partir de um argumento bem escrito, os produtores
pareciam dar mais crédito à parte gráfica da obra, que sim, se mostrava
perfeita em sua maioria. Agora, assistindo a este “Kung Fu Panda”, pude testemunhar mais uma vez a mesmíssima coisa:
roteiro fraco, qualidade gráfica perfeita, conforme o leitor poderá constatar
mais abaixo.
Tendo em vista a imensidão da crítica que redigi, desta vez (teve 2.009 palavras contra as aproximadamente 700 ou 800 que meus textos costumam ter), serei o mais breve o possível nesta pré-crítica. Muito tem se falado do sucesso de bilheteria que este “O Cavaleiro das Trevas” vem alcançando recentemente e, sempre que um fenômeno comercial desta magnitude ocorre eu gosto muito de comentar se o filme em questão merece tanto esplendor ou não. Pois no caso desta continuação de “Batman Begins” eu digo que merece, e muito, não apenas possuir uma bilheteria extremamente lucrativa, como também entrar para o ranking das três maiores bilheterias da história do Cinema, superando até mesmo o ótimo “Piratas do Caribe – O Baú da Morte”.
Há alguns filmes
que mexem conosco de uma forma, digamos, pessoal. Este “O Escafandro e a Borboleta”, por exemplo, me remeteu a uma
lembrança bem parecida com a experiência passada pelo protagonista: as
reflexões deste durante o seu período de internação hospitalar. Não, o meu caso
nem passou perto dos problemas que Jean-Dominique Bauby teve
de enfrentar, mas a semana em que fiquei internado no hospital serviu, ao
menos, para que eu pudesse repensar a minha vida e dar mais valor a mesma,
assim como o personagem de Mathieu Amalric o faz neste longa. Tendo em
vista isso, foi impossível eu não criar uma relação pessoal com a obra
magistralmente dirigida por Julian Schnabel.
Will Smith é o exemplo do indivíduo
talentoso que perde o seu tempo com produções imbecis e descartáveis, daquelas
que, com o passar dos anos (e por que não dizer: meses?) simplesmente será
apagada das mentes dos espectadores, ou não. Pois é, para mim é inadmissível
notar como o carisma exacerbado do ator/rapper (que não engrena em nada
que preste, artisticamente falando, nem em uma profissão, menos ainda em outra)
estadunidense transforma tudo o quanto é porcaria em que ele toca (pois tudo em
que ele toca realmente é uma porcaria) em ouro. Vamos analisar o
patético sitcom “The Fresh
Prince of Bel-Air” (que julgo, ao lado de “That’s So Raven”, o pior sitcom
de todos os tempos já produzido pela “Terra do Tio Sam”), só para se ter uma
idéia. O programa é patético, não tem graça alguma, não funciona nem para
crianças, nem para adultos, nem para garotos, nem para garotas, mas ainda assim
é um sucesso no mundo todo e sabem por quê? Porque conta com um Will Smith
carismático, onde tudo o que ele faz vira piada (menos para mim e mais 10% da
população mundial). O mesmo ocorre com este enfadonho “Hancock”. O filme, por si só, não seria capaz de fazer ninguém rir
(salvo em uma ou outra situação, conforme citarei abaixo), mas como é o tal do
Will Smith quem está ali atuando, ah, aí todo mundo se esbalda em gargalhadas. Basta
ele dizer um “___ holy shit!” para
que todos dêem gargalhadas. Enfim, creio que eu tenha sido a única pessoa na
sala de cinema que não fôra contaminado com o vírus da mongoloidísse alcunhado
Will Smith, mas vamos à crítica que é o que interessa, ou não.
Eu não sei ao
certo se sou eu quem sou conservador, ou melhor, retrógrado demais ou se foi
realmente a qualidade das animações que caiu, e muito, de uns tempos para cá.
Sinceramente, creio que a preocupação com a qualidade gráfica das produções
atuais fez com que a criatividade do roteiro das mesmas fosse praticamente esquecida
de uns tempos para cá, fazendo com que as obras perdessem bastante de sua
qualidade artística. Não que eu não goste de animações como “Ratatouille”, “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais”, “Shrek”, “Jimmy Neutron – O Menino Gênio” ou até mesmo “Os Incríveis”, muito pelo contrário, gosto muitíssimo das mesmas,
mas ainda assim acredito que nenhuma destas chegue aos pés de um “O Rei Leão”, ou uma “Branca de Neve e os Sete Anões”, ou um “O Estranho Mundo de Jack”.
Surpreendentemente, em 2008, os estúdios Disney-Pixar
conseguiram, em apenas 5 minutos de projeção, criar uma animação mais criativa
e divertida do que todas as outras animações feitas nestes últimos 14 anos. Me
refiro ao curta “Presto”, cuja
criatividade, simplicidade e sagacidade das piadinhas embutidas no roteiro, nos
remete aos bons tempos de “Tom &
Jerry”, “Pica-Pau” e é claro, “Mickey & Donald”. Mais surpreendente
ainda é a animação que nos é apresentada logo em seguida, que além de ser
extremamente criativa, divertida e emocionante (conseguiu arrancar lágrimas até
mesmo deste que vos escreve, que, segundo algumas pessoas, é um niilista coração
de pedra), une aspectos das animações antigas (criatividade e humor
inteligente) com debates existenciais. Estou falando de “Wall-E”, a melhor e mais bem feita (em todos os sentidos) animação que já tive a oportunidade de assistir
nos últimos 14 anos, conforme o leitor poderá constatar a seguir.
Um dos motivos
que mais me despertou curiosidade em assistir a este “Fim dos Tempos” foi a polêmica alastrada em torno do mesmo. Não, a
polêmica não gira necessariamente em torno de qualquer questão interna abordada
pelo filme, mas sim em torno das críticas e opiniões populares levantadas em
cima do mesmo. Odiado pela maioria e amado por uma minoria, “Fim dos Tempos” acabou despertando o
interesse em mim graças a essa divisão de opiniões. O problema é que, ao
terminar de assistir à obra de Shyamalan, acabei ficando em cima do muro, mas
não por receio de dar uma opinião positiva ou negativa e sim pelo simples fato
de o filme ser simplesmente medíocre (e não falo no sentido pejorativo da
palavra) e nada mais. Pedindo desculpas adiantadas ao leitor pelo péssimo
trocadilho que irei realizar agora, digo que todas as polêmicas levantadas em
cima de “Fim dos Tempos” acabam
fazendo muita ventania por nada.
Quando temos
ciência de que uma trilogia ou uma saga cinematográfica terá o seu início,
pensamos imediatamente que o episódio de abertura desta será o melhor de
todos, sendo que o nível da mesma irá cair com os seus episódios posteriores
que, geralmente, não conseguem manter a qualidade do original. Foi assim com a
trilogia “O Poderoso Chefão” e a saga
“Rocky” (e, sinceramente, nunca vi
tanta queda de qualidade de um filme para o outro, quanto do ridículo quarto
episódio da saga “Rocky” para o
primeiro, que é praticamente perfeito), apenas para citar dois exemplos.
Contudo, vez ou outra surgem algumas sagas que contrariam a regra, como é o
caso deste “As Crônicas de Nárnia”.
Se o episódio de abertura da mesma é simplesmente o pior filme de fantasia que
já tive o desprazer de assistir, este segundo episódio é, por mais
inacreditável que possa parecer, um ótimo representante do gênero. E agora
pasmem com a minha afirmação, o longa não só é ótimo, como também é o melhor
blockbuster do ano até o momento e, me apedrejem se assim almejarem, um dos
melhores da década, como poderão conferir na análise logo mais abaixo.
Estive pensando
em fazer desta pré-crítica de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”
uma espécie de editorial sobre algo que me chateou ligeiramente quando assisti
a este filme no cinema. Antes de redigir tal editorial, conversei com um amigo
meu sobre a pertinência de aprofundar-me em tal assunto ou não e ele comentou:
“___ Isso será muito pedantismo de sua parte!”. Pensei uma, duas, três
vezes e concluí que, pedantismo ou não, deveria escrever a respeito de uma
forma ou de outra. Durante a sessão observei que fui a única pessoa na sala a
rir de uma piada que o protagonista faz mencionando o nome do ex-presidente dos
Estados Unidos, Dwight Douglas Eisenhower (cujo mandato se iniciou em 1952 e,
devido a uma reeleição, se estendeu a 1960), sendo que as demais pessoas
ficaram quietas. O problema é que tais pessoas não ficaram quietas por não
acharem graça na piada, mas sim pelo fato de nem ao menos saberem quem foi
Eisenhower. Pensei comigo: “Hoje pela manhã todos comentavam sobre o jogo da
seleção brasileira, mas por que o povo se importa tanto com a seleção
brasileira? O que eles ganham com isso?”. E é uma verdadeira lástima que,
um povo que se importa tanto com algo tão supérfluo quanto um jogo de futebol
não saiba nem ao menos quem foi um dos personagens mais importantes da política
estadunidense. Enfim, vamos ao filme, que é o que interessa.
Quem acompanha
minhas críticas há algum tempo já deve ter percebido que nunca fui lá muito fã
de histórias em quadrinhos e, por este motivo, sempre que vou analisar um filme
inspirado em uma, creio que seja mais do que conveniente mencionar isto antes
de dar início à crítica, afinal de contas, seria um prévio aviso ao leitor de que
não irei analisar um filme realizando analogias entre este e a fonte que o
inspirou. Partindo do ponto de vista nulo, este “Homem de Ferro” será por mim analisado apenas como um filme, não
como uma adaptação, portanto, qualquer falha desta natureza encontrada em meu
texto peço desculpas adiantadas ao leitor.