Estes
dias estive pensando na possibilidade de aumentar meus textos de 25
para aproximadamente 35 linhas, podendo atingir um limite de até 40
linhas. Sinceramente, estava considerando minhas críticas muito curtas
e nem sempre era capaz de redigir todas as minhas opiniões em um texto
tão pequeno quanto os que escrevia outrora. Por este motivo, decidi
estendê-los de uma maneira que não ficassem nem extensos e nem breves
demais. Se a experiência dará certo, não sei dizer, só sei que farei o
possível para tornar minhas análises ainda mais aprofundadas. Quanto ao
filme “Speed Racer”, só tenho a dizer que não me
satisfez nem um pouco, muito pelo contrário. No entanto, ao menos desta
vez farei o possível para não utilizar os diversos clichês que o mesmo
possui como base para os comentários negativos que tecerei contra o
mesmo.
Estava
desesperado para criticar algum filme este final de semana (principalmente
porque este espaço virtual está desatualizadíssimo faz um bom tempo), mas com
tantas opções (incluindo dois dos maiores blockbusters
desta temporada) à vista, qual eu deveria escolher? Pensei bem e optei por
assistir ao mais recente filme de um dos meus 10 diretores prediletos, Woody
Allen. Para minha surpresa, este “O Sonho
de Cassandra”, cuja premissa não fez com que eu me entusiasmasse muito, se
revelou o melhor filme do diretor nova-iorquino desde que este lançou o irretocável
“Crimes e Pecados”. É verdade que a
premissa desta obra já foi utilizada por Allen diversas vezes, mas é incrível
notarmos como o mesmo é capaz de inovar a cada filme (e olhe que ele mantém uma
média de 1 filme por ano, sendo que a maioria dos cineastas mantém uma meta de
1 filme a cada três ou quatro anos). Além de reflexivos e introspectivos, os
filmes do diretor judeu são completamente charmosos e prazerosos de se
assistir, tanto os dramas quanto as comédias. Tendo em vista isso, é óbvio que
a minha escolha para o fim de semana não poderia ser outra senão “O Sonho de Cassandra”, como o leitor
poderá constatar mais abaixo.
Sempre que me
deparo com um personagem subversivo em um filme nutro fortes relações com o
mesmo. Foi assim com Alexander De Large em “Laranja
Mecânica”, Travis Brickle em “Taxi
Driver”, Ferris Bueler em “Curtindo a
Vida Adoidado” (apesar deste filme não ser nenhuma obra-prima) e,
principalmente, Tyler Durden no excepcional “Clube da Luta”. Neste “Persepolis”
minha relação com a protagonista Marjane Satrapi não foi muito diferente,
principalmente se levarmos em conta que a mesma era comunista em sua infância e
início de adolescência e anarco-niilista durante o final de sua adolescência e
início da fase adulta. Mas por que estou dizendo tudo isso? Para ser sincero
com o caro leitor e para que o mesmo possa perceber o quão subjetiva será a
crítica a seguir e, é claro, que em momento algum isto deprecia minha análise,
muito pelo contrário, estou fazendo propaganda positiva da mesma.
"...O roteiro se perde em meio a um redemoinho de informações
desnecessárias e imerge em um oceano de frivolidades pecando
exacerbadamente ao direcionar mais tempo (principalmente em seu início)
ao triângulo amoroso formado por Elizabeth, Sir Walter Raleigh e
Elizabeth Throckmorton do que aos acontecimentos históricos que
realmente marcaram o período mencionado no subtítulo."
Certa vez, publiquei um artigo em um blog
durante o mês de janeiro onde arriscava meus palpites para os prováveis
vencedores do Oscar® 2008. Lembro-me que, neste artigo, havia apostado em “Onde
os Fracos Não Têm Vez” como provável vencedor do prêmio de Melhor Filme.
Passaram-se alguns dias e, finalmente, pude assistir a todos os filmes que
estão concorrendo na categoria principal do Oscar® este ano e cheguei à
conclusão de que o longa dos Irmãos Cohen é inovador demais para faturar o
prêmio (e sabemos muito bem o quanto a Academia não gosta de filmes inovadores,
apesar de reconhecer a ousadia destes conferindo-lhes indicações aos prêmios
principais). Foi quando conferi este magnífico “Sangue Negro” que
concluí que o vencedor do prêmio principal não seria o longa dos Cohen, mas sim
esta obra extraordinária de Paul Thomas Anderson. Em primeiro lugar, o longa
inova, isso é fato, mas inova dentro dos padrões da Academia de Artes e
Ciências Cinematográficas. Em segundo lugar, o filme debate um tema muito
adorado por cinéfilos do mundo todo: a ambição humano. Em terceiro e último
lugar, o filme se mostra uma experiência muito mais interessante que a obra dos
Cohen.
Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano
parece ter sido a triste esnobada dos membros da Academia em relação a este
ótimo “Os Indomáveis” (mais uma vez
digo que nada tenho contra títulos nacionais, mas este é mais um exemplo onde o
título original seria muito mais condizente com o filme em si) às categorias
principais. Filmes como “Sangue Negro”
e “Onde os Fracos Não Têm Vez” se
revelaram exemplos bem sucedidos (sobretudo o primeiro) da volta dos westerns às telonas, mas vale lembrar
que ambos não podem ser considerados necessariamente filmes de ação e/ou
aventura, mas sim dramas. Um clássico exemplo contemporâneo de western a lá Sergio Leone e John Ford é
este “Os Indomáveis”, um filme de
ação que, mesmo com seus defeitos, fica bem acima da média e mostra que o gênero ainda tem muito a oferecer à Sétima Arte.
É no mínimo muito curioso que eu tenha assistido a este “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” minutos após ter comentado em meu artigo sobre “Conduta de Risco” que não se faziam filmes frios, sensível e artisticamente falando, tão bons quanto se faziam antigamente. Menciono isto em virtude à sensação que tive com o término da sessão da nova obra de Tim Burton de que havia assistido a um filme frio, mas sensacional e extremamente cativante. Diferentemente de longas como “Desejo e Reparação” e “Conduta de Risco”, a frieza deste “Sweeney Todd” em momento algum chegou a me incomodar, muito pelo contrário, além de me cativar completamente, a mesma pôde estabelecer um elo fantástico entre mim e os sentimentos doentios de seu protagonista. Aproveitando o ensejo, já que supra citei longas como “Desejo e Reparação” e “Conduta de Risco”, digo que este “Sweeney Todd” se mostra muito superior a ambos e a sua não indicação ao Oscar de Melhor Filme (e até mesmo Melhor Diretor) foi o maior absurdo que a Academia cometeu este ano. Resta-me agora torcer para que o longa ganhe ao menos o Oscar de Melhor Direção de Arte, que certamente irá faturar.
Sinopse:Anos após ter sido julgado culpado por um crime que não cometeu e ver a sua família parcialmente destruída graças à intolerância do Juiz Turpin (Alan Rickman), o barbeiro Benjamim Barker, agora alcunhado de Sweeney Todd (Johnny Depp), retorna a Londres a fim de se vingar de todos aqueles que considera culpado pelo infortúnio ocorrido com ele outrora. Com a sede de vingança cada vez maior, a insanidade cresce à mente de Todd, transformando-o em um frio serial-killer que passa a não medir mais os motivos pelos quais elimina suas vítimas. Contando com a ajuda de uma excêntrica doceira, a Srta. Lovett (Helena Bonhan Carter), Todd se instala no mesmo lugar em que exercia sua função de barbeiro no passado e começa a atrair suas vítimas ao local. Após aparar a barba das mesmas, o serial-killer as executa e entrega seus corpos à sua cúmplice, para que a mesma utilize os corpos dos mesmos como ingrediente na composição de suas tortas, eliminando assim as evidências dos crimes.
Lembro-me que em meu artigo sobre os possíveis vencedores do Oscar apostei em “Onde os Fracos Não Têm Vez”
como vencedor do prêmio principal. Entretanto, na época ainda não o
havia assistido e para realizar tal afirmação apostei na popularidade
que o mesmo vem conquistando entre os membros da Academia de Artes e
Ciências Cinematográficas. Após o assistir a pouquíssimos dias atrás
concluí que o mesmo é um filme revolucionário, inovador e inteligente,
ou seja, a típica obra que geralmente recebe uma indicação ao Oscar de
Melhor Filme, mas infelizmente não vence o prêmio. Isso acontece porque
a Academia geralmente gosta de ver produções arriscando em inovar a
linguagem cinematográfica, mas os membros que compõe a mesma acabam
dando preferência a filmes, digamos, mais redondinhos. Quer um exemplo
disso? Em 1995 o excelente “Pulp Fiction” perde o Oscar de Melhor Filme para o apenas ótimo “Forrest Gump”.
Contudo, mesmo o longa dos Cohen tendo poucas chances de derrotar o de
Paul Thomas Anderson (a não ser que este também seja inovador demais),
minha aposta para melhor filme continua sendo este ótimo (e apenas
ótimo) “Onde os Fracos Não Têm Vez”.
Sinopse:Texas,
década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um
caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise
cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo
devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino
psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém
para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell
(Tommy Lee Jones).
Quando li em um site especializado em Cinema (mais precisamente o Cinema em Cena) que este “Juno” havia sido indicado a quase todas as principais categorias do Oscar deste ano logo, imaginei que o mesmo seria o “Pequena Miss Sunshine”
de 2008. Afinal de contas, trata-se de um filme leve e simples, com um
senso de humor extremamente descompromissado, personagens
extravagantes, aborda temas complexos com singularidade e é claro, é
uma obra cinematográfica extremamente redondinha (com o perdão de ter
colocado o adjetivo em sua forma diminutiva, mas isto acaba retratando
bem o que o filme representa). Enfim, é o típico longa que acaba caindo
nas graças dos componentes da Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas e é indicado ao Oscar. Contudo, ao contrário de “Pequena Miss Sunshine”, considerei “Juno” fascinante e digno de todas as indicações que conseguiu.
Sinopse: Juno MacGuff (Ellen Page) é uma típica
adolescente que toma as rédeas de sua vida de uma forma calma e
despreocupada ao embarcar em uma emocionante aventura de nove meses a
caminho da vida adulta. Esperta e muito peculiar, Juno tem seu próprio
ritmo, mas por trás de seu exterior durão, existe uma garota que
simplesmente tenta entender as coisas. Até que uma típica tarde
entediante torna-se uma aventura quando ela decide transar com o
charmoso e discreto Bleeker. Quando descobre que ficou grávida, Juno
bola um plano para encontrar os pais perfeitos para o futuro bebê.