Compreenda melhor o nosso método de avaliação.
Desde que me dou
por gente sou fã incondicional de tudo o que tenha uma forte dose de fantasia
em seu contexto. Para se ter uma idéia, “Caverna
do Dragão” era o meu desenho predileto quando criança. Quando fiquei
sabendo que este “As Crônicas de Nárnia”
havia sido o maior inspirador de “Caverna
do Dragão” e que eu nem ao menos havia lido o livro de C.S. Lewis ainda,
decidi que precisava fazê-lo urgentemente. Mas de onde eu tiraria tempo para fazê-lo?
Foi aí que me dei conta de que a única solução seria apelar para o filme e
tentar ignorar as diversas críticas negativas tecidas contra o mesmo. O
resultado, como já era de se esperar, foi extremamente negativo e o longa de Andrew
Adamson se revelou uma péssima experiência conforme o leitor poderá constatar
mais abaixo na crítica do filme.
Sinopse: Lúcia (Georgie Henley), Susana (Anna
Popplewell), Edmundo (Skandar Keynes) e Pedro (William Moseley) são
quatro irmãos que vivem na Inglaterra, em plena 2ª Guerra Mundial. Eles
vivem na propriedade rural de um professor misterioso, onde costumam
brincar de esconde-esconde. Em uma de suas brincadeiras eles descobrem
um guarda-roupa mágico, que leva quem o atravessa ao mundo mágico de
Nárnia. Este novo mundo é habitado por seres estranhos, como centauros
e gigantes, que já foi pacífico mas hoje vive sob a maldição da
Feiticeira Branca, Jadis (Tilda Swinton), que fez com que o local
sempre estivesse em um pesado inverno. Sob a orientação do leão Aslam,
que governa Nárnia, as crianças decidem ajudar na luta para libertar
este mundo do domínio de Jadis.
Crítica:
Responda rápido:
qual o pior defeito que um filme feito com o único intuito de divertir o público
pode conter? Não conseguir divertir o público, correto? Exato, mas o que
levaria um filme a não conseguir divertir o seu público alvo? São vários os
motivos, o filme pode ser cansativo, pode ser longo demais, pode ser irritante,
pode ser desprovido de emoção e pode, simplesmente, ser chato. Este “As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira
e o Guarda-Roupas” conseguiu a façanha de conter todos os defeitos citados acima
e mais, possui quase todos os defeitos que um reles filme pode possuir.
Comecemos pelo
primeiro ato do longa que, por si só, já conta com defeitos imperdoáveis. Os 40
primeiros minutos de película custam, e muito, a passar e o que é pior, quando
terminam, chegamos à óbvia conclusão de que fomos enrolados pelo diretor
durante todo este tempo. O bem da verdade é que o primeiro ato deste “As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira
e o Guarda-Roupas” (que a partir de agora será chamado por mim apenas de “As Crônicas de Nárnia”) poderia
facilmente ser reduzido a 10 minutos de projeção, fato que o tornaria muito
mais dinâmico, além de possibilitar com que o roteiro desenvolvesse seus
personagens e a relação entre estes de maneira bem mais proveitosa durante o
desenrolar da película.
E falando em
desenvolvimento de personagens, fazia tempo que eu não via um roteiro
demonstrar tão pouco cuidado com esta que é uma das características principais
(isso para não dizer que é “a” característica principal) de um filme. Para se
ter uma idéia, os protagonistas da estória praticamente não possuem características
próprias e para que se possa distinguir um personagem do outro só nos resta
como ponto de partida o nome, o sexo, e as demais características físicas, tais
como altura e cor de cabelo, dos mesmos.
As atuações também
são pavorosas em sua maioria, principalmente quando vêm de Georgie Henley (que
aqui interpreta Lucy Pevensie) e Skandar Keynes (Edmund Pevensie). Ambos os
atores “brindam” (dêem atenção às aspas) o público com cenas sofríveis, dentre
as quais destaco a que Keynes tenta demonstrar dor e medo ao ver um de seus
amigos sendo petrificados (repare o quão ridícula é a hora em que ele, com toda
a sua inexpressividade, solta um “Nooooo”) e a cena em que Lucy avista de longe
um outro amigo seu que também fôra petrificado. Enquanto a garota percorre o
caminho até chegar à estátua temos a sensação de que a mesma está rindo e, de
repente, a mesma começa a chorar. Esta talvez tenha sido a mudança de humor
mais ridícula da história do Cinema.
E quanto ao
diretor Andrew Adamson? Já não bastasse a sua visível incompetência ao conduzir
o elenco (sobretudo o elenco infantil, que como já fôra dito, extrapola os
limites da mediocridade e da falta de carisma e de expressividade), Adamson não
realiza um único movimento de câmera satisfatório no filme. Francamente, creio
que até mesmo os irmãos Lumière, com toda a falta de tecnologia que havia na época,
seriam capazes de realizar movimentos com a câmera de maneira mais satisfatória
que Adamson realiza nesta porcaria que se atreveram a chamar de filme.
Salva-se apenas
em alguns aspectos técnicos, principalmente a fotografia, mas peca gravemente
pelo roteiro raso, pobre, fútil, enfadonho e desprovido de emoção.
Avaliação Final:
1,0 na escala de 10,0.
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DESCORDO
Por: spockcanino@pop.com.br () no dia 29-10-2008 00:16