Compreenda melhor o nosso método de avaliação.
Quando temos
ciência de que uma trilogia ou uma saga cinematográfica terá o seu início,
pensamos imediatamente que o episódio de abertura desta será o melhor de
todos, sendo que o nível da mesma irá cair com os seus episódios posteriores
que, geralmente, não conseguem manter a qualidade do original. Foi assim com a
trilogia “O Poderoso Chefão” e a saga
“Rocky” (e, sinceramente, nunca vi
tanta queda de qualidade de um filme para o outro, quanto do ridículo quarto
episódio da saga “Rocky” para o
primeiro, que é praticamente perfeito), apenas para citar dois exemplos.
Contudo, vez ou outra surgem algumas sagas que contrariam a regra, como é o
caso deste “As Crônicas de Nárnia”.
Se o episódio de abertura da mesma é simplesmente o pior filme de fantasia que
já tive o desprazer de assistir, este segundo episódio é, por mais
inacreditável que possa parecer, um ótimo representante do gênero. E agora
pasmem com a minha afirmação, o longa não só é ótimo, como também é o melhor
blockbuster do ano até o momento e, me apedrejem se assim almejarem, um dos
melhores da década, como poderão conferir na análise logo mais abaixo.
Sinopse: Um ano depois os irmãos Lucy (Georgie Henley), Edmund (Skandar
Keynes), Susan (Anna Popplewell) e Peter (William Moseley) retornam ao mundo de
Nárnia, onde já se passaram 1300 anos desde sua última visita. Durante sua
ausência Nárnia foi conquistada pelo rei Miraz (Sergio Castellitto), que
governa o local sem misericórdia. Os irmãos Pevensie então conhecem Caspian
(Ben Barnes), o príncipe de direito de Nárnia, que precisa se refugiar por ser
procurado por Miraz, seu tio. Decididos a destronar Miraz, o grupo reúne os
narnianos restantes para combatê-lo.
Crítica:
Sinceramente,
creio que não há como não notarmos as evoluções artísticas e técnicas deste
segundo episódio da saga “As Crônicas de
Nárnia” sobre o primeiro. Se o filme original era patético, ridículo,
enfadonho, cansativo, desprovido de emoção e irritante, este segundo episódio
surpreende e se mostra infinitamente superior àquela ofensa à Sétima Arte
realizada em 2005.
Diferentemente
do primeiro episódio, este “Príncipe
Caspian” (que será chamado por mim desta forma de agora em diante) conta
com um roteiro competente que, apesar de conter suas falhas (conforme citarei
mais abaixo), nos apresenta a uma estória interessante e bem desenvolvida, tal
como seus personagens, além de conferir seqüências de aventura que realmente se
mostram capazes de criar tensão no espectador (ao contrário do primeiro que, em
momento algum se releva capaz de fazer isso).
Mas não foi
apenas o roteiro de “Príncipe Caspian”
que apresentou uma visível e relevante melhora, vários outros aspectos, tanto
os técnicos quanto os artísticos, se mostraram infinitamente superiores, como é
o caso das atuações, por exemplo. Sim, por mais incrível que isso aparente ser,
os atores (todos eles, sejam os integrantes do elenco mirim ou não) nos brindam
(sem aspas, desta vez) com atuações satisfatórias, inclusive Georgie Henley e
Skandar Keynes (atores que eu havia criticado ferrenhamente no episódio
anterior). É surpreendente vermos como o segundo evoluiu durante estes três
últimos anos, Keynes amadureceu tanto que realiza aqui uma das melhores
atuações do filme. Henley, apesar de não realizar uma atuação tão satisfatória
quanto os demais atores (há algumas cenas em que ela continua sendo irritante e
canastrona como antes, diga-se) não atrapalha tanto quanto atrapalhava no longa
original. Parte disto deve-se ao roteiro que, diferentemente de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, retirou
da personagem Lucy a responsabilidade de ser a protagonista da estória,
conferindo esta a Peter. E já que mencionei o nome de Peter Pevensie devo dizer
que a atuação de William Moseley é, de longe, uma das maiores qualidades do
longa. O jovem ator chama para si a responsabilidade de protagonista do filme e
cumpre tal função de maneira mais do que satisfatória.
Contudo, a maior
evolução deste “Príncipe Caspian”
fica por conta da (pasmem!) direção do mesmo. Sim, isso mesmo, não estou sob o efeito
de alucinógenos ou coisa do tipo, a mesmíssima direção de Andrew Adamson que,
ao menos para mim, era um dos maiores defeitos de “O Leão, a Feiticeira e o
Guarda-Roupa” se revela (em uma das maiores ironias de minha vida como
cinéfilo) uma das grandes qualidades deste “Príncipe
Caspian”. Desta vez, Adamson parece ter aprendido a lição de que não
adianta absolutamente nada criarmos batalhas épicas se não soubermos dirigi-las
com dignidade. Se as batalhas deste segundo episódio da saga já seriam
fantásticas por si só, Adamson as torna ainda mais magistrais com a sua direção
ágil, dinâmica e eficiente.
Infelizmente,
nem tudo são rosas em “Príncipe Caspian”.
O mesmo roteiro que nos apresenta a uma estória interessante e a desenvolve
bem, peca gravemente durante o primeiro ato, quando as crianças retornam a
Nárnia. Durante os quarenta primeiros minutos de projeção temos a mesma
sensação que tivemos ao conferir os quarenta primeiros minutos do longa
anterior: a de que estamos sendo enrolados. Felizmente tal sensação some completamente
com o desenrolar da obra cinematográfica.
Avaliação Final:
8,0 na escala de 10,0.
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