
Compreenda melhor o nosso método de avaliação.
Um dos motivos
que mais me despertou curiosidade em assistir a este “Fim dos Tempos” foi a polêmica alastrada em torno do mesmo. Não, a
polêmica não gira necessariamente em torno de qualquer questão interna abordada
pelo filme, mas sim em torno das críticas e opiniões populares levantadas em
cima do mesmo. Odiado pela maioria e amado por uma minoria, “Fim dos Tempos” acabou despertando o
interesse em mim graças a essa divisão de opiniões. O problema é que, ao
terminar de assistir à obra de Shyamalan, acabei ficando em cima do muro, mas
não por receio de dar uma opinião positiva ou negativa e sim pelo simples fato
de o filme ser simplesmente medíocre (e não falo no sentido pejorativo da
palavra) e nada mais. Pedindo desculpas adiantadas ao leitor pelo péssimo
trocadilho que irei realizar agora, digo que todas as polêmicas levantadas em
cima de “Fim dos Tempos” acabam
fazendo muita ventania por nada.
Sinopse: Após uma série
de inexplicáveis suicídios em massa, o professor Elliot Moore (Mark Wahlberg) decide,
junto com a esposa Alma Moore (Zooey Deschanel) abandonar a cidade em que
reside e partir para o campo, onde crê que estará a salvo de tais
acontecimentos. Contudo, é justamente nesta região do globo terrestre que o
estranho fenômeno passa a ocorrer com mais intensidade, criando um estado de pânico
e calamidade pública, obrigando o casal a fugir para salvar a própria vida.
Crítica:
“Fim dos Tempos” é mais um destes filmes
egoístas onde um gigantesco número de pessoas corre sério risco de vida, mas o
roteiro insiste em voltar a atenção apenas a um minúsculo grupo de pessoas (no
caso, os protagonistas da estória) e cabe a nós, espectadores, torcer para que
este pequenino grupo consiga se manter vivo até o desfecho da estória, pouco
nos importando o que venha a acontecer com os demais personagens. Em outras
palavras, “Fim dos Tempos” (e que
titulizinho mais marqueteiro e megalomaníaco este, não?) é um filme que lembra
bastante “Guerra dos Mundos”, com a
diferença de que aqui os predadores não são alienígenas e sim as plantas.
É isso mesmo que
o leitor leu: plantas. Ao invés de seres bizarros ameaçando a humanidade, temos
vegetais que, a fim de preservar a própria espécie (já que o ser humano ameaça
a natureza constante e diariamente), organizam um complô contra a nossa raça
liberando toxinas que inibem os instintos de autodefesa humana fazendo com que
todas as pessoas infectadas com a substância lançada pelas plantas cometam
suicídio (hã?).
Pois é, a estória
extrapola os limites do absurdo, mas ainda assim não há como negar a
originalidade da mesma e, por mais inverossímil que o argumento soe, ele tem um
pouco (bem pouco, diga-se) de coerência, sendo que a natureza “vinga-se” do
Homem com certa freqüência através dos desastres naturais (vide o Furacão Katrina, apenas para citar um exemplo), ainda que não o faça voluntariamente,
conforme sugere o filme.
Muito se tem
reclamado também de certas cenas do longa como, por exemplo, a seqüência onde um
grupo de pessoas foge do vento. Pois onde muitos críticos vêem uma cena
ridícula eu vejo uma cena comum, afinal de contas, o que mais poderia se
esperar? Que as plantas disparassem tiros de raio laser ou liberassem um gás
visível e venenoso? É lógico que se estas quisessem lançar uma toxina contra os
seres humanos elas o fariam através do vento, portanto, não notei nada demais
na cena, a não ser, é claro, na capacidade que Shyamalan teve para criar uma seqüência
ligeiramente tensa (e já digo que era obrigação do diretor indiano ter
conferido muito mais tensão ao espectador durante o desenrolar de tal
seqüência) sem precisar fazer uso de efeitos especiais mirabolantes ou CGI.
Outro ponto
fortíssimo do filme (e provavelmente é a maior qualidade do mesmo) reside na
capacidade que este tem de criar um clima claustrofóbico e angustiante sendo
que, ironicamente, 85% de sua projeção é realizada em ambientes abertos e, ao
contrário da grande maioria de filmes de suspense/horror, “Fim dos Tempos” é realizado quase que inteiramente em locações
abertas, fato que condiz plenamente com a sua sinopse.
Mas para que um
filme deste gênero seja considerado, no mínimo, bom, é mais do que obrigatório
que o mesmo contenha cenas fortes e impactantes, capazes de deixar o espectador
tenso. E para deixar o espectador tenso, não basta apenas criar um clima
angustiante, deve-se conseguir dar origem a cenas que causem impacto em quem
está do outro lado da telona. Infelizmente, “Fim dos Tempos” conta com pouquíssimas cenas desta natureza, tais
como o suicídio coletivo no Central Park e a seqüência em que nos deparamos com
várias pessoas enforcadas em diversas árvores.
No final das
contas, este “Fim dos Tempos” se
equipara (mais uma vez peço desculpas pelo trocadilho de mau gosto) àquele
vento que bate em seu rosto em uma manhã de agosto. Enquanto você sente a
corrente de ar em sua face, obviamente tem ciência desta, depois que passa você
simplesmente esquece que a sentiu há pouquíssimos minutos atrás.
Avaliação Final:
5,0 na escala de 10,0.
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