
Compreenda melhor o nosso método de avaliação.
Will Smith é o exemplo do indivíduo
talentoso que perde o seu tempo com produções imbecis e descartáveis, daquelas
que, com o passar dos anos (e por que não dizer: meses?) simplesmente será
apagada das mentes dos espectadores, ou não. Pois é, para mim é inadmissível
notar como o carisma exacerbado do ator/rapper (que não engrena em nada
que preste, artisticamente falando, nem em uma profissão, menos ainda em outra)
estadunidense transforma tudo o quanto é porcaria em que ele toca (pois tudo em
que ele toca realmente é uma porcaria) em ouro. Vamos analisar o
patético sitcom “The Fresh
Prince of Bel-Air” (que julgo, ao lado de “That’s So Raven”, o pior sitcom
de todos os tempos já produzido pela “Terra do Tio Sam”), só para se ter uma
idéia. O programa é patético, não tem graça alguma, não funciona nem para
crianças, nem para adultos, nem para garotos, nem para garotas, mas ainda assim
é um sucesso no mundo todo e sabem por quê? Porque conta com um Will Smith
carismático, onde tudo o que ele faz vira piada (menos para mim e mais 10% da
população mundial). O mesmo ocorre com este enfadonho “Hancock”. O filme, por si só, não seria capaz de fazer ninguém rir
(salvo em uma ou outra situação, conforme citarei abaixo), mas como é o tal do
Will Smith quem está ali atuando, ah, aí todo mundo se esbalda em gargalhadas. Basta
ele dizer um “___ holy shit!” para
que todos dêem gargalhadas. Enfim, creio que eu tenha sido a única pessoa na
sala de cinema que não fôra contaminado com o vírus da mongoloidísse alcunhado
Will Smith, mas vamos à crítica que é o que interessa, ou não.
Ficha Técnica:
Título
Original: Hancock
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.hancock.com.br
Estúdio: Blue Light / Relativity Media / Weed Road Pictures / Forward
Pass / Overbrook Entertainment
Distribuição: Columbia Pictures
Direção: Peter Berg
Roteiro: Vincent Ngo e Vince Gilligan
Produção: Akiva Goldsman, James Lassiter, Michael Mann e Will Smith
Música: John Powell
Fotografia: Tobias A. Schliessler
Desenho de Produção: Neil Spisak
Direção de Arte: William Hawkins e Dawn Swiderski
Figurino: Louise Mingenbach
Edição: Colby Parker Jr. e Paul Rubell
Efeitos Especiais: Furious FX / Lidar Services / Sony Pictures
Imageworks
Elenco: Will Smith (John Hancock), Charlize
Theron (Mary Embrey), Jason Bateman (Ray Embrey), Jae Head (Aaron Embrey), Eddie
Marsan (Red), David Mattey (Homem da montanha), Maetrix Fiften (Matrix), Thomas
Lennon (Mike), Johnny Galecki (Jeremy), Haylye Marie Norman (Hottie), Akiva
Goldsman (Executivo) e Michael Mann (Executivo).
Sinopse: Hancock
(Will Smith) é um herói diferente dos demais já vistos no Cinema. Ao contrário
de um Homem-Aranha, de um Super-Homem, ou de um Batman, Hancock é um herói
derrotado pela vida, cujas crises existenciais e consumo exacerbado de bebida
alcoólica o transformam em um sujeito desajeitado e incapaz de realizar um
único resgate sem nem ao menos causar prejuízos incalculáveis ao governo.
Contudo, Hancock conhece Ray Embrey, um agente de relações-públicas que promete
“limpar” a imagem de bad-ass do
sujeito e fazer com que o mesmo possa combater o crime organizado com
dignidade.
Hancock Trailer:
Crítica:
Durante boa parte dos, aproximadamente, 90
minutos de projeção deste “Hancock” somos
obrigados a testemunhar as atitudes duvidosas de um super-herói mal-humorado,
mal-educado, mal-amado, mal-encarado, malcriado, malquisto, mau caráter e cerca
de 90% de todos os adjetivos simples ou compostos contidos em nosso vocabulário
que possuam em seu contexto as palavras: “mal” ou “mau”, seja esta inserida
como radical da palavra, ou não. “___ E
isso é ruim?”___ me pergunta o estimado leitor. “___ Mas é claro que não! Muito pelo contrário, é sensacional!” ___
respondo eu.
Hancock é um super-herói bem diferente dos
demais, no que diz respeito a seu caráter e a seus conceitos morais, fato que
comprova que o protagonista é muito mais humano e sujeito a falhas do que a
grande maioria das personalidades transportadas das HQs para as telonas é. Além
disso, o longa conta com um Will Smith inspirado e algumas piadinhas que
funcionam bem vez ou outra. “___ Ah, que
ótimo, e as demais qualidades?” ___ me pergunta o leitor. Eu respondo: “___ Elas não existem, as qualidades se
resumem apenas à tentativa de criar algo além do convencional, ao carisma de
Will Smith e a algumas piadas e/ou gags que funcionam raramente.”.
Fora as poucas qualidades que esta bomba
assinada por Peter Berg possui, temos a tentativa mal-sucedida de um diretor
megalomaníaco que almeja, acima de tudo, criar uma obra pseudo-moderninha e
falha terrivelmente em seu propósito, salvo, é claro, na composição inicial (e
apenas inicial) de seu protagonista. No mais, somos obrigados a encarar outros
maneirismos inconvenientes e contemporâneos do diretor como, por exemplo, a realização
de closes com a sua câmera, sempre que possível (e muitas vezes até mesmo
quando não é tão possível assim, diga-se).
Mas antes os defeitos do filme se
resumissem às (desastrosas) tentativas de apresentar o “novo” (gargalhadas) ao
espectador. Se fosse assim, a experiência seria, no máximo, decepcionante, mas
infelizmente a mesma se torna insuportável durante o seu desenrolar. Vamos
analisar o humor do longa, para se ter uma idéia. Durante o primeiro ato temos
algumas piadas e/ou gags que funcionam
de maneira conveniente, como a cena em que o protagonista prende uma vã lotada
de marginais em um edifício pontiagudo ou ainda a seqüência onde, a fim de
salvar uma baleia encalhada na praia, Hancock utiliza toda a sua força para
arremessá-la de volta ao mar, mas, involuntariamente, acaba acertando uma
embarcação e afundando a mesma.
As duas gags supracitadas parecem (mas só parecem) ter saído de uma mente
inteligente e criativa, mas conforme o filme se desenrola esta mesma mente
“inteligente e criativa” (agora com aspas) nos obriga a presenciar seqüências
sofríveis, como a em que o protagonista “prende” a cabeça de um homem ao tra...
(não vou revelar qual parte do corpo é, a fim de não estragar possíveis
“surpresas” (gostaram de minha piadinha? Hã? Hã? Pois é, estou entrando no ritmo do filme!)) de um outro homem, criando
uma situação forçada e constrangedora não só aos atores que a interpretam, como
principalmente ao espectador que a assiste.
Entretanto, o maior problema deste “Hancock” reside, indubitavelmente, na
incapacidade de seu roteiro em definir um gênero ao mesmo. Não entendi se os
roteiristas almejaram fazer desta bomba um filme de comédia, ou um filme de
drama. A única coisa que percebi é que o mesmo teria se revelado uma
experiência bem menos sofrível caso se assumisse como uma reles aventura
descerebrada e convencional (nunca imaginei que fosse dizer isso em toda a
minha vida).
Em
suma, em meio às crises existenciais do protagonista, às crises de fracasso do
diretor (que não consegue cumprir com as suas ambições de criar algo novo sem
cair no ridículo) e às crises de identidade dos roteiristas (que não conseguem
definir um gênero à obra), quem mais sofre é o espectador, que se abarrota em
crises existenciais se perguntando a todo o instante: “___ Qual é o meu propósito nesta sessão de cinema?”.
Avaliação Final: 3,0 na escala de 10,0.
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