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Batman Begins
(6 votos)
 

Por Daniel Esteves de Barros, no dia 18-07-2008 01:03

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Para ser sincero ao leitor (como sempre costumo ser), não estava com a menor inspiração de assistir e, muito menos, criticar este “Batman Begins”, mas haja visto que a seqüência deste longa estréia nos principais cinemas do Brasil e do Mundo na próxima sexta, não me restou outra alternativa senão fazê-lo antes da estréia de “The Dark Knight”, um dos blockbusters mais aguardados desta temporada (senão o mais aguardado). Ao contrário da grande maioria dos cinéfilos, não aguardo o próximo filme do homem-morcego com tanto entusiasmo. Os motivos? Bem, creio que se o leitor ler o meu texto poderá compreender perfeitamente às ressalvas que possuo contra esta nova saga do mais conhecido cidadão da história de Gotham City, apesar de reconhecer que este primeiro episódio da nova série possui muitas qualidades. 
 

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Ficha Técnica:
Título Original:
 Batman Begins
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 134 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
2005
Site Oficial: http://batmanbegins.warnerbros.com
Estúdio: Warner Bros. / Di Bonaventura Pictures
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan e David S. Goyer, baseado em estória de David S. Goyer e nos personagens criados por Bob Kane
Produção: Larry J. Franco, Charles Roven e Emma Thomas
Música: James Newton Howard e Hans Zimmer
Fotografia: Wally Pfister
Desenho de Produção: Nathan Crowley
Direção de Arte: Peter Francis, Stuart Kearns, Paul Kirby, Steven Lawrence, Simon Lamont, David Lee, Shane Valentino e Su Whitaker
Figurino: Lindy Hemming
Edição: Lee Smith
Efeitos Especiais: Double Negative / The Moving Picture Company / Rising Sun Pictures

Elenco: Christian Bale (Batman / Bruce Wayne), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Liam Neeson (Henri Ducard), Morgan Freeman (Lucius Fox), Gary Oldman (Tenente James Gordon), Ken Watanabe (Ra's Al Ghul), Katie Holmes (Rachel Dodson), Cillian Murphy (Dr. Jonathan Crane / Espantalho), Tom Wilkinson (Carmine Falcone), Rutger Hauer (Richard Earle), Sara Stewart (Martha Wayne), Linus Roache (Dr. Thomas Wayne), Richard Brake (Joe Chill), Gus Lewis (Bruce Wayne - jovem), Emma Lockhart (Rachel Dawes - jovem), Colin McFarlane (Comissário Gillian Loeb), Barry Dowden (Detetive Flass), Larry Holden (Carlton Finch), Lucy Russell (Susan) e Christina Adams (Jessica).

 

Sinopse: Após presenciar o assassinato de seus pais enquanto ainda criança, o milionário Bruce Wayne (Christian Bale) passa a dedicar a sua vida ao estudo do crime organizado, a fim de adquirir experiência o suficiente para combater o mesmo. Para isso, ele viaja o mundo inteiro e acaba se envolvendo com uma organização secreta de ninjas justiceiros que visam reduzir a criminalidade mundial. Após ser minuciosa e intensamente treinado por Duncan (Liam Neeson), Wayne regressa à sua cidade natal e decide por fim às organizações criminosas que tomam conta da mesma. Para isso, ele cria uma idêntidade secreta: o Batman e é através desta que o rapaz passa a amedrontar e combater os bandidos de Gotham City.

 
 

Batman Begins – Trailer:


Crítica:

 

Indo na contramão dos episódios da saga anterior, este “Batman Begins” optou por ser o mais fiel o possível às HQs (apesar de divergir da mesma em determinados aspectos) e de dar muito mais ênfase à personalidade de Bruce Wayne e o modo como este veio a se tornar o maior símbolo da história da fictícia cidade de Gotham City (uma Nova York muito mais escura e tomada pelo crime organizado), bem como os motivos que o levaram a criar a imagem do homem-morcego a fim de aterrorizar os seus inimigos. “___ E isso é bom?” ___ Me pergunta o leitor. “___ Depende.” ___ Respondo eu.

 

Se por um lado a caracterização do protagonista deste “Batman Begins” é realizada de um modo que torna o personagem muito mais humano e próximo ao público, por outro lado ela tira todo o mistério criado em cima do mesmo, este que era um dos maiores charmes da saga anterior. Não que o cavaleiro das trevas não seja misterioso nesta nova saga que se iniciou em 2.005, mas o bem da verdade é que, ao menos nesse quesito, o presente longa fica bem aquém aos filmes dirigidos por Tim Burton.

 

Da mesma forma que a caracterização de Batman/Bruce Wayne (Christian Bale, em boa atuação) alterna entre altos e baixos, os demais aspectos deste filme perambulam pelo mesmíssimo caminho. Tomemos por base o primeiro ato da obra, quando o roteiro opta por narrar a história sob duas perspectivas amplamente diferentes. Na primeira, vemos Wayne iniciando um treinamento no Tibet (ou seria no Himalaia? Ou no Nepal? Enfim, a localização é o de menos...) em meio a um grupo de ninjas justiceiros que almejam reduzir consideravelmente o índice criminal mundial.

 

Até então, tudo é perfeito e funciona às mil maravilhas, tanto por parte da narrativa do longa, quanto pela parte técnica do mesmo. O problema surge quando a estória supracitada passa a se entrelaçar com uma outra: a estória onde ficamos à par do passado de Bruce Wayne. A partir daí somos obrigados a presenciar um festival de estereótipos insuportáveis, que variam desde a melhor amiga de infância de Bruce, que futuramente se tornará namorada do mesmo, até a benevolência exacerbada do pai do garoto (que gasta muito dinheiro apenas para fazer o bem e, ainda assim, em uma ironia que somente o Cinema é capaz de nos proporcionar, continua multimilionário), passando, é claro, pelo mordomo, cuja fidelidade é inquestionável.

 

Mas o filme se desenvolve e, junto com ele, seu roteiro também. Somos apresentados aos vilões do longa, primeiramente, o gangster Falcone, posteriormente, o psiquiatra Dr. Crane, vulgo Espantalho (sim, ele mesmo) e, por fim... bem, este terceiro vilão é melhor manter oculto para não estragar as surpresas de quem ainda não tenha assistido ao longa. Eis que o leitor me pergunta: “___ Três vilões?! Mas o filme consegue explorar todos os três de maneira conveniente?” e eu respondo: “___ Sim, consegue! E este é um dos maiores acertos do mesmo!”.

 

O modo como o roteiro alterna os seus antagonistas é extremamente sutil e natural. É como se tudo seguisse uma seqüência. Seqüência esta que parece ter sido cuidadosamente arquitetada pelos roteiristas Christopher Nolan (que também assina como diretor do filme) e David S. Goyer com o intento de preparar o espectador para as cosntantes mudanças de vilão do filme, sem que este fique na incomoda sensação de que o antagonista anterior fôra bruscamente substituído por um outro mais importante e mais perigoso.

 

A maior qualidade deste “Batman Begins”, no entanto, fica por conta de sua estória incrivelmente inteligente e bem trabalhada, que consegue a façanha de criar elos a elementos de difíceis ligações, tais como uma liga de ninjas justiceiros, uma droga altamente alucinógena que desperta medo em quem ela é utilizada e um equipamento capaz de evaporar a água de uma cidade inteira. O mais surpreendente é vermos que, mesmo demonstrando total capacidade para ligar os elementos supracitados, o roteiro ainda consegue explorar o seu protagonista e os demais personagens de maneira deveras satisfatória.

 

Contudo, o mesmo roteiro que se mostra responsável pela maior parte das qualidades do filme, ironicamente se revela igualmente responsável pela maior parte dos defeitos do longa dirigido por Christopher Nolan. Gostaria que o leitor me respondesse rápido: “___ Qual é o maior defeito que um filme feito com o principal objetivo de divertir o seu público alvo pode possuir?”. “___ Não conseguir divertí-lo.” ___ Me responde prontamente o leitor. Corretíssimo, e é justamente esse o maior problema com “Batman Begins”: a incapacidade de nos divertir, seja mediante suas seqüências de ação, seja mediante seus alívios cômicos (estes últimos, carregados de gags para lá de batidas, diga-se).

 

Falando nas seqüências de ação, além de pouquíssimas, estas não apresentam absolutamente nada de novo e, o que é pior, se mostram incapazes de transmitir ao público qualquer tipo de emoção ou tensão. Para complicar ainda mais a situação, Cristopher Nolan demonstra ter uma “mão demasiadamente pesada” para dirigir tais seqüências, tonando-as ainda mais enfadonhas do que já são por si só (o que é uma pena, pois o diretor havia demonstrado bastante talento nas condições das demais cenas do longa), e a fraca e nada empolgante trilha-sonora torna a experiência ainda mais frustrante.

 

Para concluir e resumir tudo em um único parágrafo, diria que o cuidado que “Batman Begins” teve ao desenvolver os seus personagens (salvo quando o mesmo apela aos estereotipos previamente citados) e, principalmente, a sua estória, não teve ao entreter e cativar o seu público alvo. E levando-se em conta que o filme de Nolan é uma assumida sessão-pipoca, o simples fato de não se revelar capaz de empolgar o espectador pode ser encarado como um crime inafiançável, ou um pecado mortal.

 

Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.



   
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