Novamente nos
deparamos com mais um filme de seqüência e como em todo o filme de seqüência
que se preze, temos abordada a clássica polêmica: estariam os roteiristas e
produtores da indústria cinematográfica sofrendo um fortíssimo lapso de
criatividade? Ou estariam eles aproveitando o sucesso obtido com o(s)
episódio(s) anterior(es) da franquia e almejando realizar um novo blockbuster sem necessitar realizar um
enorme esforço intelectual por parte dos envolvidos com a obra, já que a
franquia do filme por si só já se revela forte o bastante para atrair milhares
de pessoas aos cinemas? Ou seria a junção das duas hipóteses supracitadas? Pois
eu aposto nesta última, dando muito mais ênfase à segunda, é claro. E é isto
que esse “A Múmia – A Tumba do Imperador
Dragão” se revela, uma seqüência preguiçosa, oportunista e desnecessária,
cujo único propósito é arrecadar milhões de dólares com a bilheteria, sem ter
de se esforçar muito para tal, uma vez que o longa todo não possui uma única
ponta de originalidade, parecendo ter plagiado cada aspecto dos demais filmes
do gênero.
Ficha
Técnica:
Título
Original: The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor Gênero: Aventura Tempo de Duração: 112 minutos Ano de Lançamento (EUA / Canadá / Alemanha): 2008 Site Oficial:www.amumia.com.br Estúdio: Universal Pictures / The Sommers Company / Nowita Pictures /
Relativity Media / Alphaville Films / Giant Studios / Sean Daniel Company Distribuição: Universal Pictures / UIP Direção: Rob Cohen Roteiro: Alfred Gough e Miles Millar Produção: Sean Daniel, Bob Ducsay, James Jacks e Stephen Sommers Música: Randy Edelman Fotografia: Simon Duggan Desenho de Produção: Nigel Phelps Direção de Arte: David Gaucher, Isabelle Guay, Nicolas Lepage e
Jean-Pierre Paquet Figurino: Sanja Milkovic Hays Edição: Kelly Matsumoto e Joel Negron Efeitos Especiais: Digital Domain / Giant Studios / Special Effects
Atlantic / Gentle Giant Studios / Rainmaker / Rhythm and Hues Elenco:Brendan Fraser (Rick
O'Connell), Maria Bello (Evelyn O'Connell), Jet Li (Imperador Dragão), John
Hannah (Jonathan Carnahan), Michelle Yeoh (Zi Juan), Luke Ford (Alex
O'Connell), Isabella Leong (Lin), Anthony Wong Chau-Sang (General Yang),
Russell Wong (Ming Guo), Liam Cunningham (Mad Dog Maguire), David Calder (Roger
Wilson), Jessey Meng (Choi) e Tian Liang (Li Zhou).
Sinopse:O impiedoso
imperador dragão (Jet Li) é amaldiçoado pela feiticeira Zi Juan (Michelle
Yeoh), o que faz com que ele e seu exército de 10 mil homens seja petrificado.
Mais de dois milênios depois o túmulo do imperador dragão é descoberto por Alex
O'Connor (Luke Ford), filho dos aventureiros Rick (Brendan Fraser) e Evelyn
(Maria Bello), que deixou os estudos para se dedicar à escavação. Seus pais não
sabem do trabalho de Alex, que conta com a ajuda do tio, Jonathan Carnahan
(John Hannah), dono de uma boate em Xangai. Atualmente Rick
e Evelyn levam uma pacata vida em Londres, mas sentem falta da aventura. Um dia
eles recebem a proposta de levar um precioso artefato a Xangai e, usando a
desculpa de visitar Jonathan, aceitam a missão. Só que ao chegar eles são abordados
pelo general Yang (Anthony Wong Chau-Sang), que deseja trazer o imperador
dragão de volta à vida.
The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor – Trailer:
Crítica:
Procedido por
dois outros filmes pipoca que já não eram lá dos melhores (apesar de serem
ligeiramente divertidos), este terceiro episódio da série “A Múmia” parece ter vindo a fim de afundar a franquia de vez. Tudo
aqui beira o ridículo, o supérfluo, o frívolo e à falta de originalidade. Falta
de originalidade esta que já pode ser observada a partir do subtítulo desta
bomba (e olhe que o fato de eu estar utilizando até mesmo o subtítulo deste
verdadeiro lixo cinematográfico como artifício para avacalhá-lo é sinal de que
o mesmo realmente conseguiu a façanha de me deixar ainda mais mal-humorado do
que eu já acordei hoje): “A Tumba do
Imperador Dragão”. Mas, afinal da contas, por que Dragão? Além de patético,
nada original, marqueteiro e pedante, o subtítulo tenta conferir ao longa um
tom de importância altamente desnecessário, tornando o filme ainda mais
ridículo do que ele já é por si só.
Provavelmente o
maior defeito deste “A Tumba do Imperador
Dragão” (gargalhadas, muitas gargalhadas) ocorra justamente em cima do
oportunismo financeiro visado pelos produtores do longa que almejaram arrecadar
mais alguns milhões de dólares em cima da alta bilheteria já gerada pela franquia
nos filmes anteriores. O problema é que os dois episódios antecessores pareciam
já ter espremido o máximo que conseguiriam espremer de um roteiro que já nasceu
falho (apesar de ligeiramente eficiente) e agora o que restou do mesmo foi um
bagaço artístico de péssima qualidade, onde raramente algum cineasta, seja ele
quem for, conseguiria a capacidade de extrair algo interessante disto.
Dando início à
sua narrativa realizando uma prévia explicação histórica sobre os fatos que
viriam a ser abordados mais tarde pelo roteiro (qual?), o longa já se afunda em
todos os possíveis clichês do gênero, adotando uma mais que batida estória de
maldição. O pior de tudo é constatarmos que a película vai se desenrolando e
nenhum aspecto, seja técnico, seja artístico, acompanha o desenrolar da mesma.
O roteiro, que já conta com uma trama nauseante, torna a situação ainda pior
quando opta por inserir elementos completamente dispensáveis e fora de contexto
à estória, obrigando o espectador a ter de tolerar baboseiras como crises
familiares (abordadas da maneira mais batida o possível), a formação de um par
romântico extremamente previsível e irritante e, acreditem, a inserção dos
abomináveis homens das neves como colaboradores dos heróis do filme.
Sim, a falta de
idéias para compor este lixo da Sétima Arte (se é que uma baboseira desta
proporção pode ser alcunhada de Arte) é tão visível, que a dupla de roteiristas
parvos, incompetentes, ridículos, palermas e idiotas, Alfred Gough e Miles Millar
(após um trabalho asqueroso destes, creio que ambos deveriam ser exonerados da
face da Terra sem o menor resquício de humanismo e/ou dignidade), se viu
obrigada a apelar até mesmo a um recurso altamente artificial, tal como a inserção
dos lendários Yetis(que, para piorar a situação, foram muito mal trabalhados pela equipe
responsável pelos efeitos visuais do filme) na trama a fim de conferir algum chamariz
a mesma (e ironicamente, acabaram tornando a mesma ainda mais patética do que
ela já seria, e é, por si só).
Quanto à
caracterização dos personagens então, nem se fala, esta dispensa comentários
haja vista a sua mediocridade. Temos aqui um personagem mais estereotipado que
o outro, em especial o tal Imperador Dragão (gargalhadas) que é abordado pelo
roteiro tomando por base e alicerce todos (sim, eu disse: todos) os clichês
possíveis a fim de se construir um vilão. Além de anunciar a sua maldade
matando pessoas oprimidas e indefesas e fazendo as caretas mais carrancudas e
artificiais o possível, o filme nos faz o “favor” de tornar a voz deste
extremamente grave (chegando a lembrar até mesmo a ridícula voz de Xerxes no
ótimo “300”), fato que colabora para que a
experiência soe ainda mais irritante do que ela já é por si só. E não bastassem
as imperdoáveis e inúmeras (ou seria melhor eu ter mencionado “infinitas” ao
invés de “inúmeras”?) derrapadas que o roteiro dá na composição do vilão do
longa, a atuação gritantemente inexpressiva e sem carisma do péssimo Jet Li
(este que não faria falta alguma ao Cinema caso um dia levasse um tiro no meio
da testa) consegue a façanha de transformar o Imperador Dragão em um dos mais
ridículos vilões do Século XXI.
“___Mas e como entretenimento, o filme funciona?”
___ Pergunta-me o leitor. “___ Não!”
___ Respondo eu de maneira fria e objetiva. Para que um filme desta natureza
possa obter êxito como uma mera obra de diversão, é necessário, no mínimo, que
este contenha seqüências de aventura/ação satisfatórias, e isto não é o que
ocorre aqui. Ou melhor, ocorrer até ocorre, mas o ridículo diretor Rob Cohen (que
jamais imaginei ser capaz de dirigir algo mais pavoroso que “Velozes e Furiosos” e “Triplo X”, até assistir a esta bomba em
questão) não demonstra a menor competência para conduzir tais seqüências e as
estraga parcialmente (isso para não dizer: “quase
inteiramente”). Sinceramente, creio que até mesmo o genial Edwin S. Potter,
com toda a falta de tecnologia propícia na época (primeira década do Século
XX), se mostrou capaz de realizar uma movimentação com a câmera de maneira mais
satisfatória no fantástico curta “O
Grande Assalto a Trem” de 1.903 (e confesso não estar mencionando isto hiperbolicamente).
Enfim, eu bem
que poderia continuar a minha análise apresentando as demais falhas do filme
(porque, acredite, esta bomba consegue conter ainda mais falhas do que as que
já foram supracitadas), mas sinceramente não sei se vou me conter e manter a
razão que procurei manter até então, sendo assim, a fim de privar-me de cometer
injúrias e/ou difamações contra os envolvidos com este “projeto artístico de
entretenimento” (atenção às aspas), encerro aqui este texto, redigindo algo que
raramente escrevo em minhas análises (até mesmo por considerar isto uma total falta
de ética), mas neste caso, não posso dar outro conselho ao leitor(a) que não
seja: “evite, a todo custo, assistir a este filme”.
O quê? Ah sim,
estava me esquecendo, devo manter a praxe em minhas críticas e reservar o
último parágrafo para realizar um resumo da mesma. Pois vamos lá, “A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão”
se revela um filme previsivelmente (sim, pois era fácil prevermos que, pela
maneira com que o segundo episódio se encerrou, as chances de extrairmos algo
produtivo aqui seriam mínimas) ridículo e dispensável e, além de contar com
quase todos os clichês e estereótipos do gênero, obriga o espectador a passar 112
minutos de seu precioso tempo (e digo precioso pois apesar de curto, o filme
custa a passar, haja visto que a sua fraquíssima estória poderia facilmente ser
desenvolvida em menos de 50 minutos) tendo que suportar uma estória nada original,
carregada de alívios cômicos que não funcionam em hipótese alguma, atuações
sofríveis e cenas de aventura/ação bem montadas mas terrivelmente dirigidas
pelo péssimo Rob Cohen. Um dos piores filmes que tive o dúbio privilégio de
assistir neste início de século.