Havia algum
tempo que eu estava devendo uma matéria especial aqui no site e decidi
aproveitar o lançamento da animação “Star
Wars – As Guerras Clônicas” para poder apresentar ao leitor a minha opinião
sobre a concordância ou não, com relação à extensão da hexalogia que, aos olhos
de muita gente, é tida como irretocável. Através desta matéria o leitor poderá
verificar se sou a favor ou contra de tal extensão e como acredito que a mesma
deveria ser realizada. Um texto simples, que não irá mudar em nada o cenário
cinematográfico mundial, mas é a sincera opinião de um fã incondicional da série
que almeja, acima de tudo, manifestar o seu carinho pela mesma, registrando
aqui o seu humilde ponto de vista.
Matéria:
Muito tem-se
comentado a respeito desta nova animação da saga “Star Wars” intitulada de “As Guerras
Clônicas” (“The Clone Wars”, no
original). Assim como ocorreu com a nova trilogia iniciada em 1999 e encerrada
em 2005, muitos fãs estão alegando que a nova investida de Lucas não passa de
uma jogada do cineasta para angariar ainda mais dinheiro utilizando o nome da
série. É óbvio que a intenção do criador da série é exatamente este, quanto a
isto não se tenha a menor dúvida, mas aí eu pergunto: qual o problema com isso?
Sim, a grande
maioria dos filmes são produzidos com o intuito de obter um bom retorno
financeiro, e isso ocorre tanto com os blockbusters
quanto com os filmes cults. Ou alguém
acredita que Jean Renoir, François Truffaut, Luis Buñuel e Federico Fellini
dirigiam suas obras pensando única e exclusivamente na Arte, sem se preocupar
em arrecadar uma quantia em dinheiro, no mínimo, satisfatória? É claro que, na
grande maioria dos casos, o dinheiro torna-se praticamente o principal foco do
cineasta envolvido com o filme e este é, indubitavelmente, o objetivo de George
Lucas com este “As Guerras Clônicas”,
mas ainda assim eu insisto em perguntar: qual o problema com isso?
Francamente, não
vejo problema algum no fato de um produtor ou um cineasta realizar um filme com
o único intento de vendê-lo, contanto, é óbvio, que o produtor ou cineasta
responsável pelo mesmo crie algo relevante, de qualidade. Tomemos os Episódios
I, II e III da saga “Star Wars” como
maiores exemplos disto. Particularmente, considero os três filmes relevantes
(apesar de o primeiro ser bem decepcionante, não deixa de ser um bom filme) e a
criação dos mesmos, em momento algum, fluiu de modo pejorativo à trilogia
original. Contudo, salta à vista que a maior intenção de Lucas ao produzir tais
filmes fora arrecadar muito dinheiro com os mesmos, uma vez que a trilogia
original já se revelava capaz de atrair milhões de fãs para os cinemas do mundo
todo. Resumindo, a trilogia recente se mostrou um verdadeiro caça-níqueis, mas
isso não quer dizer necessariamente que a mesma seja ruim, muito pelo
contrário, acrescentou bastante a uma saga que, convenhamos, apesar de
excelente, precisava ter umas questões respondidas (e foi justamente isso que
os episódios I, II e III da saga fizeram).
Mas será que,
mesmo após ter produzido seis filmes, Lucas consegue ainda extrair algo da
franquia “Star Wars”? Sinceramente,
não tenho a mínima idéia. A única coisa que posso afirmar é que muitos
apostavam que esta trilogia recente seria um verdadeiro lixo cinematográfico e,
por mais que a mesma não faça jus aos filmes originais, não há como negar que
todos os três episódios se revelam obras cinematográficas mais interessantes
que a grande maioria dos filmes hollywoodianos lançados freqüentemente.
Quanto à “As Guerras Clônicas” não sei dizer o
que, necessariamente, esperar do filme. Ainda não tive a oportunidade de
assisti-lo, mas pretendo fazê-lo ainda neste final de semana. Contudo, há algo
que me deixa receoso quanto à obra em si: o período em que a estória se passa.
Inserida entre o segundo e o terceiro episódios, a trama visa abordar os fatos
ocorridos após a fuga de Conde Dookan, apresentada ao público durante o final
do segundo episódio. O problema é que a trilogia que abrange os episódios I, II
e III foi criada com o único intento de preencher algumas lacunas deixadas pela
antiga trilogia, que abrangia os episódios IV, V e VI, e Lucas, estranhamente,
optou por explorar ainda mais uma série que, a princípio, fora criada apenas para
servir de pivô aos episódios protagonizados por Luke Skywalker.
A saga iniciada
em 1999 já foi explorada da maneira mais ampla o possível e, sinceramente,
qualquer tentativa de prolongá-la soa necessariamente como uma jogada
marqueteira por parte dos produtores. A proposta de Lucas é, não menos do que
artificial, aparentemente desnecessária, sem propósito. Não pelo simples fato
de estar voltada a fins financeiros, pois como já mencionei acima, não vejo
problema algum nisso, mas sim pelo fato de tentar se aprofundar demais em algo
que, aparentemente, já foi aprofundado de um modo satisfatório de certa forma.
Durante uma
leitura que fiz pela revista Época deste mês (cuja capa traz como matéria
principal: “Quem é a nova classe média do
Brasil”), reparei, em uma matéria especial sobre este “As Guerras Clônicas” (páginas 130 a 132), que Lucas almejava ainda criar mais
três episódios extras à trilogia. Até aí não temos nenhum problema, salvo, é
claro, pelo período em que tais episódios seriam ambientados: na maturidade do
grande herói da saga, Luke Skywalker. Cá entre nós, a trilogia antiga já não
foi perfeitamente explorada? Já não se encerrou de maneira altamente
satisfatória? Então por que razão Lucas almeja estender algo que já teve um
final magnífico? Para que isso pudesse ocorrer, o roteiro teria que remexer em
muitos pontos da trilogia original e provavelmente correria o risco de subtrair
muito da magia da mesma (e tendo em vista a sede capitalista de Lucas, ele
certamente o faria a fim de ganhar mais algum dinheiro usando o nome da
franquia). Felizmente o cineasta deixou de lado tal projeto e contentou-se, ao
menos por enquanto, apenas com este “As
Guerras Clônicas”.
Mas engana-se
terrivelmente o leitor que estiver pensando que a minha postura quanto à extensão
da saga “Star Wars” é negativa.
Muitíssimo pelo contrário, sou extremamente a favor que a mesma receba mais
alguns episódios adicionais. Contudo, gostaria que isto ocorresse sem a
necessidade de Lucas tocar nos episódios já existentes. Sem a necessidade dele
inserir estórias desnecessárias em meio a um episódio e outro. Como ele poderia
fazer isso? Simples, seria apenas recriar a mesma idéia que teve ao escrever os
episódios I, II e III, e preencher as lacunas que ficaram vazias com os
episódios posteriores. Em outras palavras, bastaria Lucas fazer o mesmo que ele
fez com esta trilogia criada recentemente: escrever uma nova saga com o intento
de responder algumas pontas deixadas desamarradas pelos episódios
cronologicamente posteriores.
“___ E quais seriam estas pontas?” ___ Me
pergunta o leitor. São várias, dentre as quais cito a que mais poderia ser
abordada de maneira definitivamente satisfatória: a formação do Conselho Jedi.
Até mesmo o primeiro episódio da saga: “A
Ameaça Fantasma” que é o que mais se preocupa em abordar de maneira básica
a formação dos Cavaleiros Jedi, não se propõe a explanar ao público (até mesmo
porque, caso se preocupasse, iria perder um tempo precioso com isso e, o que é
pior, tiraria o maior foco da estória, que é, no caso, inserir o personagem
Anakin Skywalker na mesma) como se deu a formação do Conselho Jedi, como eles
descobriram a Força, como aprenderam a controlá-la, enfim, Lucas teria muito
conteúdo a ser explorado caso optasse por abordar este período da mitologia criada
por ele, bem mais conteúdo do que explorar o universo “Star Wars” pós-declínio do Império Galáctico.
George Lucas
pode até almejar explorar ainda mais a sua mitologia e utilizar a mesma com o
intento de acumular mais alguns rios de dinheiro, mas para isso, deve prestar
bastante atenção no alvo em que está mirando. Caso o tiro seja disparado
erroneamente e não atinja o alvo nem ao menos de raspão, o resultado final pode ser
catastrófico e Lucas pode cometer um grave homicídio contra uma saga que, até
então, só conferiu alegrias aos seus fãs.
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A saga está completa
Por: Leo12 () no dia 16-08-2008 16:48