É uma grande
honra e um grande esmero para mim, poder, finalmente analisar este quinto
episodio da saga “Star Wars”. Que
venerei veementemente a mesma durante a minha infância, isso todos que
acompanham o meu trabalho já sabem, agora, o meu carinho em especial por este
quinto episódio está sendo revelado em primeira mão aqui, nesta pré crítica do
longa. Sinceramente, não consigo descrever, demonstrar em palavras, o quão
importante esta verdadeira Obra-Prima do Cinema fora para o desenvolvimento de
minha paixão pela Sétima Arte. Meu pai lembra-me até hoje da minha reação
enquanto assistia ao filme pela primeira vez e, ao ver o protagonista Luke
desconcentrando-se de seu treinamento para se tornar um Jedi, acabara,
involuntariamente, derrubando o simpático dróide R2-D2. Curioso como sempre fui
(e agora, sabe-se lá o porquê, não sou mais), tratei de perguntar ao meu
progenitor: “Pai, por que o R2 caiu?”.
Sei que a frase é clichê, mas enfim: “Bons
tempos aqueles”.
Ficha Técnica:
Título
Original: The Empire Strikes Back Gênero: Aventura / Ficção Científica Tempo de Duração: 124 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1980 Site Oficial: www.starwars.com/episode-v Estúdio: LucasFilm Ltda. Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation Direção: Irvin Kershner Roteiro: Leigh Brackett e Lawrence Kasdan, baseado em estória de
George Lucas Produção: Gary Kurtz Música: John Williams Direção de Fotografia: Peter Suschitzky Desenho de Produção: Norman Reynolds Direção de Arte: Leslie Dilley, Harry Lange e Alan Tomkins Figurino: John Mollo Edição: Paul Hirsch e Marcia Lucas Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), David
Prowse (Darth Vader), James Earl Jones (Darth Vader - Voz), Harrison Ford (Han
Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia Organa), Frank Oz (Yoda - Voz), Dee Williams (Lando Calrissian), Jeremy
Bulloch (Boba Fett/Tenente Sheckil), Alec
Guinness (Obi-Wan Kenobi), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Baker (R2D2), Peter
Mayhew (Chewbacca) e Clive Revill (Imperador Cos Palpatine - Voz).
Sinopse: Após ser descoberta pelos exércitos
imperiais, a Aliança Rebelde opta por montar a sua base de operações militares
em um local discreto, onde o império jamais possa encontrá-los com facilidade. Entretanto,
o Senhor do Mal: Lorde Darth Vader (atuação: David Prowse, voz: James Earl
Jones), envia sondas aos sistemas solares mais longínquos do espaço sideral a
fim de localizar seus inimigos e o plano funciona perfeitamente. Após uma
batalha fortíssima contra o Império, os rebeldes têm muito de seu potencial
enfraquecido e decidem fugir para não serem capturados. Luke Skywalker (Mark
Hamill) recebe uma visita de seu antigo tutor Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness) e
este lhe aconselha a procurar por Mestre Yoda (Frank Oz) dando início ao seu
treinamento para tornar-se um Jedi. Han Solo (Harrison Ford), Princesa Leia Organa
(Carrie Fischer), Chewbacca (Peter Mayhew), R2-D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony
Daniels) conseguem escapar ilesos da frota espacial imperial, mas a sua nave é
seriamente atingida e necessita fazer reparos. Para isso, Han Solo decidi ir até
Bespim, encontrar-se com Lando Calrissian (Dee Williams), um velho conhecido, e solicitar-lhe auxílio com os
reparos.
Star Wars – Episode V – The Empire Strikes Back – Trailer:
Crítica:
Peço ao leitor
que me responda rapidamente a seguinte questão: qual é a primeira coisa que lhe
vem à mente quando se pensa em “Star Wars”?
Aposto que 90% das pessoas que leram esta pergunta responderam: Darth Vader,
estou errado? Pois é, não há como negar que, por mais que personagens como Luke
Skywalker (Mark Hamill), Capitão Han Solo (Harrison Ford), Princesa Leia (Carrie Fischer), Chewbacca, Mestre Yoda (Voz - Frank Oz), Obi-Wan
Kenobi (Alec Guiness), e até mesmo os robôs R2-D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony
Daniels) nos cativem amplamente, a alma da
trilogia é o senhor das trevas: Lorde Darth Vader (atuação: David Prowse, voz: James Earl
Jones). Só para se ter uma idéia, em
quase todas as listas, elaboradas por cinéfilos, com o intento de eleger os
melhores vilões da estória do Cinema, adivinhe só quem encabeça as mesmas com
unanimidade? Sim, ele mesmo, Lorde Darth Vader.
Mas o que faz de
Vader este personagem tão marcante? Tão onipresente na memória da grande
maioria dos fãs da sétima Arte? Seria a sua respiração assustadora e ofegante?
Seria a sua fantasia aterrorizadoramente sombria e escura? Seria sua voz
vibrante e penetrante? Seriam seus poderes devastadores de Lorde Sith (vide o
modo como ele é capaz de sufocar um sujeito que está a anos luz de distância
dele)? Creio que seja tudo isso e muito mais, em especial o lado psicológico
deste. Vader passa a causar interesse no espectador a partir do momento em que,
no episódio anterior, exatamente no intróito do filme, ficamos sabendo, através
de Obi-Wan Kenobi, que o vilão já fora um promissor Jedi outrora, mas
converteu-se ao lado negro da Força e exterminou a grande maioria dos mestres
Jedi. Quais os motivos que levariam um promissor defensor do lado iluminado da
Força a tornar-se aquilo que mais odiava? Particularmente, creio que seja
exatamente isto que torna Vader um objeto de estudo tão interessante, o modo
como o roteiro explora o seu lado psicológico e o transforma em um simples
produto do meio e das circunstâncias que este lhe proporcionou. Por mais
poderoso que Vader seja, não há como negar que ele possuía inúmeras fraquezas a
ponto de ter sua ideologia de vida drasticamente convertida, deslocando-se de
uma polaridade para outra, fato que o torna um vilão vulnerável, ou seja, muito
mais palpável de se absorver em um contexto real.
Contudo,
conforme mencionei em minha crítica, em “Uma Nova Esperança” o grande vilão desta
saga acabou não sendo explorado da maneira profunda com que deveria ter sido. Se
por um lado o episódio anterior ganha pontos ao conferir vulnerabilidade a
Vader, tornando-o um reles subordinado do Comandante Vanden Willard, por outro
lado falha na construção do personagem, fazendo-o não cativar o público tanto o
quanto deveria. Neste “O Império
Contra-Ataca” a situação se inverte. Optando sabiamente por escreverem um
roteiro que dá total ênfase ao vilão, Leigh Brackett e Lawrence Kasdan fazem de
Vader o âmago deste quinto episódio e, indiscutivelmente, a maior qualidade
deste.
A direção de Irvin
Kershner é outro ponto fortíssimo do longa e se mostra extremamente competente
ao conduzir as cenas protagonizadas por Vader, fazendo com que as mesmas causem o impacto que o roteiro
tanto almeja. Note, por exemplo, a perfeição que é o primeiro plano-seqüência, onde
vemos o Senhor do Mal dar as caras neste quinto episódio pela primeira vez.
Começamos com a brusca movimentação das naves do império pela galáxia,
procurando insaciavelmente por membros da Aliança Rebelde. A música Imperial March, brilhantemente
orquestrada pelo mestre John Willians, é ressoada de maneira que cause um
impacto direto no espectador e, finalmente, vemos Lorde Darth Vader sentado em
sua majestosa poltrona. Uma cena arrepiante, marcante, magistralmente bem
realizada por Kershner, que confere uma união perfeita entre vários aspectos do
longa (direção, direção de arte, trilha-sonora, fotografia, figurino e, é
claro, roteiro) e que, por si só, já faz com que o espectador necessite dar uma
conferida na obra, mesmo que este não se interesse pela trilogia.
Mas é óbvio que
“O Império Contra-Ataca” não se
resume apenas a Darth Vader. Contando com um roteiro fabuloso que apresenta uma
carga dramática maior que o filme original, este quinto episódio se mostra
inquestionavelmente formidável em quase todos os seus aspectos. Comecemos pelo desenvolvimento
de seus demais personagens. Em “Uma Nova
Esperança”, o longa contava com um ponto indispensável a todo o episódio de
abertura de série (ou saga, caso o leitor prefira) que se preze: a aprofundada
abordagem de seus protagonistas (salvo Darth Vader, conforme fora previamente
mencionado). Este “O Império Contra-Ataca”,
contudo, opta engenhosamente por não tentar desenvolver seus personagens de uma
maneira individual (coisa que o filme anterior fizera com maestria), o que
faria com que o mesmo perdesse muito tempo inutilmente, e o faz através da
química elaborada entre dois ou mais personagens e/ou mediante as situações as
que os mesmos são respectivamente submetidos.
Há, no entanto,
uma falha gravíssima contida no roteiro de “O
Império Contra-Ataca” quando este desenvolve a química existente entre dois
determinados personagens do longa. Refiro-me a Han Solo e Leia. O flerte entre
ambos que havia se iniciado de maneira conveniente e satisfatória no filme
anterior, beira o ridículo aqui, obrigando o espectador a se conformar com
diálogos forçados e artificiais do tipo: “___
Sei que você me ama, não adianta disfarçar.” ou “___ No fundo você adoraria ficar com um cara bonitão como eu.”. Não
bastasse isso, temos uma série de piadinhas ridículas em cima do romance entra
ambos e, francamente, não há como não se irritar com a química desenvolvida
entre os personagens de Ford e Fisher, pois eles formam o típico casal clichê:
“nos odiamos, mas, no fundo, nos amamos!”.
Menos artificial
e mais satisfatória é a fantástica química desenvolvida entre o protagonista
Luke Skywalker e seu mais novo mentor, o ex-líder do Conselho Jedi: Mestre
Yoda. Contando com diálogos cuja superioridade se mostra ululante aos de Han e
Leia, o bizarro, mas ainda assim estranhamente cativante, Mestre Yoda dá a Luke
(e a nós, espectadores), lições sobre paciência, autoconfiança, plenitude e
estabilidade emocional e racional. A inserção do mestre Jedi na trilogia antiga
foi um dos pontos mais altos da mesma e não é a toa que este tornou-se um
personagem quase tão marcante quanto o próprio Darth Vader. Luke Skywalker
também é muito bem desenvolvido em função de tal química, sobretudo a rebeldia
do mesmo (note a maneira como este reluta em relação a algumas exigências de
Yoda e no modo como ele não segue o conselho do mentor, abandonando-o para
salvar os amigos) que muito difere dos dogmas estoicistas adotados por seu pai
no primeiro episódio da saga.
A inserção do personagem Lando Calrissian (Dee Williams) na trama também colabora muitíssimo com a mesma. O caráter de Calrissiané muito parecido com o de Solo, ou seja, nunca sabemos ao certo de que lado está o personagem de Williams. Aparentemente, este se revela confiável, mas as decisões que ele toma próximo ao final do filme colaboram, e muito, para que o roteiro possa nos criar um final imprevisível e surpreendente, fazendo com que tenhamos a, paradoxalmente, insuportável e deliciosa sensação de expectativa e curiosidade com relação ao próximo episódio da saga: "O Retorno de Jedi".
As seqüências de
aventura também são ótimas e, apesar de ficarem bem aquém das do quarto
episódio, se revelam altamente dinâmicas. Ao contrário da grande maioria dos
filmes de aventura, a saga “Star Wars”
parece preocupar-se em criar situações onde os protagonistas realmente se
encontrem em total perigo e nós, espectadores, consigamos desenvolver um elo
emocional com os mesmos, praticamente adentrando na pele destes e passando
pelos mesmos perigos que eles também passam. A seqüência em que Solo e Léia, a fim de
fugir e despistar as naves imperiais, adentram uma tempestade de meteoros e
correm seriíssimo risco de vida é uma prova cabal disto. Ainda mais emocionante
e tensa é a seqüência inicial em que o Império descobre a nova base de
operações da Aliança Rebelde e comanda um ataque à mesma (esta seqüência
torna-se ainda mais eficiente quando Darth Vader entra em cena).
“O Império
Contra-Ataca” conta também com uma direção de arte que beira à perfeição
(principalmente se levarmos em conta a época em que o filme fora produzido).
Desta vez, as naves são ainda mais bem detalhadas que no episódio anterior,
conferindo ainda mais realismo às mesmas. Os cenários também são fantásticos, em especial Bespim vista do alto, uma cidade incrivelmente
futurística entre as nuvens, algo que incita à imaginação do espectador e
confere um crédito ainda maior a toda magia que envolve a obra. Simplesmente
fantástico.
Os efeitos
visuais também não ficam muito atrás. Da mesma forma que a caracterização do
gangster Jabba, o Hutt, impressionava os espectadores pela sua aparência
quase real, o mesmo ocorre com o inesquecível Mestre Yoda, mas com uma grande
diferença: Yoda, aqui, é ainda mais convincente e real que Jabba, uma vez que
seus movimentos são muito menos lentos que os daquele. Outra grande evolução que
o filme obteve neste quesito foram as lutas com sabres de luz que ganharam
muito mais dinâmica graças aos efeitos visuais. Tais efeitos colaboraram, e
muito, para que a luta ocorrida entre Luke e um personagem cuja identidade
manterei oculta fosse extremamente emocionante (é claro que se compararmos tal
duelo com os ocorridos nos filmes da nova trilogia, estes empalidecem bastante)
e se tornasse a cena mais importante de toda a saga “Star Wars”, além, é claro, de ser considerado uma das 10 cenas mais
importantes da história do Cinema.
E já que
mencionei tal cena, creio que deveria destinar um parágrafo inteiro apenas a
esta, tamanha a importância da mesma. Conferindo uma carga dramática
extremamente importante e envolvente à seqüência em questão, os roteiristas Leigh
Brackett e Lawrence Kasdan souberam perfeitamente como criar de maneira
extremamente sutil o clima necessário para que a mesma soasse surpreendente (na
verdade, ela é surpreendente apenas para quem ainda não assistiu aos Episódios
I, II e III) e emocionante na medida certa. A inserção do diálogo “___ Luke, eu sou seu pai!” também não
poderia ter sido realizada de maneira mais conveniente e impactante. Irvin
Kershner também se mostra competente o bastante na condução da cena, pois sabe
da importância que ela tem para a trilogia de um modo geral e proporciona ao
espectador um dos maiores espetáculos já promovidos pela Sétima Arte.
Por fim, a
sensação lúgubre que este quinto episódio nos proporciona em relação às
incertezas acerca dos futuros dos respectivos protagonista da estória é, não
menos, que majestosa e fantástica, pois faz com que roamos as unhas de tensão
ao imaginar o que virá pela frente, com o sexto e último (ao menos por
enquanto) episódio da saga. E, convenhamos, não há maior toque de genialidade
que um filme pertencente à uma trilogia pode causar em seu espectador do que
este: deixá-lo assíduo para conferir o próximo episódio sem precisar apelar
para artificialidades de roteiro.
Abordando o mais
carismático personagem de toda a saga de um modo demasiado aprofundado, “Star Wars – Episódio V – O Império
Contra-Ataca” se mostra amplamente matreiro no desenvolvimento deste e, de
quebra, cria o maior e mais importante vilão de toda a história do Cinema.
Apresentando uma carga dramática bem superior ao filme anterior, este quinto
episódio ainda ganha um importantíssimo destaque devido a uma revelação
bombástica ocorrida no terceiro ato de sua trama. O desenvolvimento entre os
personagens é perfeito, uma vez que este é realizado a partir da química
existente entre dois ou mais deles, salvo, é claro, a química
desnecessariamente infantil elaborada entre Han Solo e Leia Organa. As
seqüências de aventura deixam um pouco a desejar comparadas ao filme anterior,
mas são excelentes e tensas o bastante, analisando-as individualmente. O melhor
filme de toda a saga.
Avaliação Final:
9,0 na escala de 10,0.
Obs.: Devido à correria que minha vida se encontra, não tive tempo de revisar os textos e verificar os erros dos mesmos. Felizmente o leitor Ricardo Bianchetti me fez este favor e recomendou duas alterações que já foram feitas: onde encontrava-se "Coruscant", leia-se "Bespim" (cidade de Lando Calrissian) e a frase de maior impacto do filme é "___ Luke, eu sou seu pai!" e não, "___ Luke, você é meu filho!", conforme eu havia escrito em meu texto. Ricardo, muitíssimo obrigado pelas sugestões e caso mais algum leitor tenha algo a sugerir, favor enviar uma mensagem diretamente a mim, ao administrador, ou, se preferir, deixar um recado no campo destinado aos comentários dos usuários do site.