Provavelmente, uma das despedidas mais
tristes da história do Cinema. Não que o filme em si, ou o seu desfecho, seja
melancólico, longe disso, mas a verdade é que não deve ter sido nada fácil para
os fãs da saga (que em 1983 já eram muitos espalhados por todo o mundo) se
acostumarem com a idéia de que jamais ouviriam novamente nos cinemas a respiração
profunda, assustadora e ofegante do mais marcante vilão que a sétima Arte já
nos apresentou. O que seriam dos milhões de nerds lucasmaníacos sem os
golpes de sabre de luz desferidos por Luke Skywalker? Sem as batalhas espaciais
magistralmente comandadas por Han Solo? Sem o charme e a independência feminina
de Leia Organa? Sem os rugidos incompreensíveis de reclamação de Chewbacca? Sem
a dinâmica da atrapalhada dupla de dróides R2-D2 e C3PO? Pois é, em 1983 eu nem
ao menos havia nascido, ou melhor, nasci apenas no final deste ano, quando o
filme já havia estreado, mas mesmo assim já posso imaginar toda a melancolia
que se alastrou nos fãs do mundo todo acerca desta magnífica saga que
revolucionou o modo de se fazer os chamados “filmes-pipoca”.
Ficha
Técnica:
Título
Original: Return of the Jedi Gênero: Aventura/Ficção Científica Tempo de Duração: 131 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1983 Site Oficial: www.starwars.com/episode-vi Estúdio: LucasFilm Ltda. Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation Direção: Richard Marquand Roteiro: George Lucas e Lawrence Kasdan, baseado em estória de George
Lucas Produção: Howard G. Kazanjian Música: John Williams Direção de Fotografia: Alan Hume Desenho de Produção: Norman Reynolds Direção de Arte: Fred Hole e James L. Schoppe Figurino: Aggie Guerard Rodgers e Nilo Rodis-Jamero Edição: Sean Barton, Duwayne Dunham e Marcia Lucas Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic Elenco: Mark
Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia
Organa), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), David Prowse (Darth Vader),
James Earl Jones (Darth Vader - Voz), Ian McDiarmid (Imperador Cos Palpatine),
Alec Guinness (Obi-Wan Kenobi), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Baker
(R2D2/Paploo), Peter Mayhew (Chewbacca), Sebastian Shaw (Anakin Skywalker),
Frank Oz (Yoda) e Michael Pennington (Moff Jerjerrod).
Sinopse: Após ter sido raptado pelo caçador
de recompensas Borba Fett, Han Solo (Harrison Ford) é levado como refém até o gangster Jabba, o
Hutt. Luke Skywalker (Mark Hamill) e seus amigos partem em uma missão com o objetivo de
resgatar o importante general. Enquanto isso, o Imperador Cos Palpatine (Ian McDiarmid) e Lorde
Darth Vader (atuação: David Prowse, voz: James Earl Jones) lideram o projeto de construção de uma nova “Estrela da Morte”
(estação espacial super poderosa que havia sido destruída pelos soldados da
Aliança Rebelde em “Uma Nova Esperança”)
ainda mais poderosa que a anterior. Em uma desesperada e arriscada tentativa de
defesa, os líderes da Aliança Rebelde nomeiam Lando Calrissian (Billy Dee Williams) para comandar um
ataque à nova estação espacial imperial e Luke Skywalker se prepara para o
grande desafio de sua vida: enfrentar e derrotar Darth Vader e Cos Palpatine,
tornar-se um verdadeiro cavaleiro Jedi e encerrar com esta guerra de uma vez
por todas, trazendo paz e liberdade ao universo.
Return of the Jedi – Trailer:
Crítica:
“O Retorno de Jedi” se inicia com a
tentativa frustrada, organizada por Luke (Mark Hamill), Leia (Carrie Fisher), Lando (Billy Dee Williams), Chewbacca (Peter Mayhew), R2-D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony Daniels),
de salvar Han Solo (Harrison Ford) das garras de Jabba, o Hutt. Durante este resgate
mal-sucedido, o filme brinda o espectador com figurinos, maquiagem e efeitos
visuais simplesmente vislumbrantes. Nunca, em toda a trilogia, os realizadores
se mostraram capazes de aproveitar todas as qualidades técnicas da obra a fim
de criar uma diversificação tão ampla de criaturas quanto às que nos são
apresentadas no início deste último episódio, no reduto de Jabba e os
responsáveis pelos efeitos visuais e pela maquiagem se revelam extremamente
competentes ao darem um ar ainda mais realista às bizarras criaturas.
Outro ponto
forte inserido em tal seqüência inicial reside na criatividade que o roteiro e
a direção tiveram ao construí-la. Preste atenção, por exemplo, na riqueza de
detalhes utilizada para compor as coreografias e os números de dança realizados
na residência de Jabba. Observe também os acordes musicais tocados,
remetendo-nos à lembrança de um gênero no melhor estilo free jazz. Tudo aparenta ter sido minuciosamente bem pensado,
escrito e executado. O resultado não poderia ter sido melhor.
A entrada de
Luke Skywalker em cena também colabora muito para que esta ganhe muito ritmo,
uma vez que os poderes de Jedi do jovem protagonista ampliaram-se
consideravelmente e a evolução técnica da obra, principalmente no que diz
respeito aos efeitos visuais desta, faz com que as seqüências de luta com sabre
de luz se tornem muito mais reais e empolgantes e contem com movimentos muito
mais ousados que os dos episódios anteriores.
Mas se por um
lado tal seqüência revela-se extremamente interessante, analisando-a apenas
como entretenimento, por outro lado a mesma revela-se fraca e parcialmente
desnecessária do ponto de vista narrativo. Justifico tal afirmativa tomando por
base que, apesar de nos mostrar o resgate do general Han Solo (que
primeiramente se revela frustrado, mas com a entrada de Luke em cena toma um
outro rumo), os minutos iniciais do filme fogem completamente da proposta
principal da trilogia que é narrar a guerra estelar entre o Império
Intergaláctico e a Aliança Rebelde.
Evidentemente, é
uma excelente pedida presenciarmos em um blockbuster
(ainda mais um com as proporções de um “Star
Wars”) cenas de ação fantásticas regadas com impecáveis efeitos visuais,
além, é claro, de contar com uma atriz formosíssima (bem, ao menos, na época,
ela era muito formosa, gostosérrima (me desculpem pela vulgaridade, garotas,
mas estou sendo sincero), para falar a verdade), do naipe de uma Carrie Fisher,
trajando vestimentas apertadíssimas e minúsculas, mas sejamos francos, para que
uma seqüência destas dure longos vinte minutos, é necessário, ao menos, que
esta tenha um propósito muito maior dentro da trama do que simplesmente mostrar
o resgate de um dos protagonistas da mesma, algo que poderia ter sido realizado
em cerca de cinco minutos.
Outro defeito
presente em tal seqüência é o modo desonroso como Bobba Fett, que havia se
revelado um importante e interessante personagem até então, sai de cena: o
mesmo é derrotado por Han Solo através de um golpe de sorte e o que já era
ridículo consegue piorar ainda mais devido ao fato de o longa utilizar tal cena
como alívio cômico. Aliás, a maneira como este “O Retorno de Jedi” se “desfaz” de muitos de seus personagens é um
dos maiores defeitos do mesmo. Note, por exemplo, a seqüência que ilustra a
morte de um certo personagem, cuja identidade manterei em segredo, que havia
cativado imensamente o público. Ele simplesmente diz: “___ Estou velho, preciso descansar.”, e pronto, sai de cena, sem
mais nem menos, da maneira menos sutil o possível.
O roteiro,
escrito por George Lucas e Lawrence Kasdan, optou, desta vez, por explorar
menos os seus protagonistas, inclusive o próprio Darth Vader (atuação: David Prowse, voz: James Earl Jones), e devo reconhecer
que esta fora uma sábia decisão, uma vez que o desenvolvimento dos personagens
principais já havia sido realizado com maestria nos longas anteriores. Sendo
assim, não há nada mais conveniente então, do que o roteiro tomar a inteligente
decisão de focar-se, principalmente, em amarrar as pontas deixadas em aberto
pelos dois episódios anteriores, deixando os seus protagonistas em segundo
plano (salvo o Imperador Cos Palpatine (Ian McDiarmid) que, pela primeira vez na trilogia, é
abordado de uma maneira demasiadamente ampla e torna-se um dos personagens
principais deste episódio final), e é justamente isto o que ocorre aqui.
Mas o roteiro
conta com diversas falhas e estas, infelizmente, não se resumem aos minutos
iniciais do longa, conforme já consta citado neste texto. A artificial
revelação sobre o grau de parentesco entre Luke e Leia é o exemplo mais claro
disso. Francamente, poucas revelações soaram tão artificiais, desnecessárias e
formulaicas na história do Cinema quanto à cena em que Luke revela a Leia
que possui um forte grau de parentesco com esta.
A direção de Richard
Marquand, que em sua totalidade se revela muito boa, também comete alguns
deslizes imperdoáveis e torna os defeitos que já vinham do roteiro ainda mais
alarmantes. Vide os alívios cômicos. Em sua grande maioria, são todos infantis,
desnecessários, tolos. Ao menos desta vez o casal Leia e Han se mostra mais
maduro e Marquand dirige o romance entre ambos de maneira convincente e nada
irritante. Sem dúvida alguma foi a melhor química entre ambos durante toda a
saga.
As seqüências de
aventura foram extremamente bem distribuídas pelo roteiro e estas colaboram, e
muito, para que o filme jamais se torne cansativo e/ou visivelmente longo
(salvo a seqüência inicial, conforme já fora comentado). Contudo, o roteiro se
esquece de algo importantíssimo ao criar tais cenas: deve-se sempre dar
prioridade ao qualitativo e relegar o quantitativo ao segundo plano. “O Retorno de Jedi” é o episódio da saga
que conta com mais cenas de ação, contudo, nenhuma destas chega aos pés da
perseguição espacial entre Han Solo e as naves imperiais dentro de uma
tempestade de asteróides no episódio anterior, ou, principalmente, do ataque
que a Aliança Rebelde realiza à estação espacial “Estrela da Morte” no episódio
original. Parte desse defeito deve-se ao diretor Richard Marquand que, apesar
de criar ângulos satisfatórios enquanto dirige tais cenas, não se mostra capaz
de dar a estas a mesma sensação de urgência e perigo imediato que os diretores
George Lucas e Irvin Kershner conseguiram fazer com maestria nos,
respectivamente, quarto e quinto episódios.
Mesmo com todos
os defeitos já relatados neste texto, não há como negar que “O Retorno de Jedi” é um ótimo filme e
conta com muito mais qualidades do que defeitos. A maior qualidade do longa,
muito provavelmente, fica por conta da maneira como este consegue amarrar
algumas pontas deixadas pelos episódios anteriores de maneira natural.
Certamente, a morte de muitos personagens (dois em especial) aqui soa
extremamente artificial e parece ser mais uma jogada do roteiro, como se este
tivesse a obrigação de dar fim a tais personagens e, seja pela falta de tempo,
criatividade, ou até mesmo, força de vontade, o faz de modo nada convincente.
Ainda assim, os roteiristas Lucas e Kasdan se preocupam em criar um desfecho
extremamente interessante à trama e aos seus respectivos protagonistas.
A dinâmica
desenvolvida entre Luke Skywalker e Darth Vader também é outro ponto
extremamente forte e relevante deste episódio final, principalmente depois da
revelação ocorrida em “O Império
Contra-Ataca”. E se no longa anterior a luta entre ambos já se mostrava
extremamente tensa e dramática, imagine só neste “O Retorno de Jedi” o impacto emocional que a mesma causa,
principalmente quando sabemos que ali, um dos dois irá encontrar o seu trágico
fim, além, é claro, desta vez estarmos cientes do grau de parentesco entre
ambos, uma vez que no longa anterior Vader faz a revelação a Luke somente após
a luta ter se encerrado.
E a carga
dramática entre Vader e Skywalker certamente não reside apenas no dramático
combate final entre ambos (que se revela a melhor luta de sabres de luz de toda
a trilogia, apesar de não chegar aos pés da maioria das seqüências de ação dos
dois episódios anteriores), muito pelo contrário. O âmago de tal química
encontra-se nos diálogos entre o mocinho e o vilão da estória. O primeiro,
tenta convencer o outro de que ainda há bondade nele e há a possibilidade deste
voltar a atuar pelo lado iluminado da Força, ao passo que o segundo, tenta
desesperadamente compenetrar o jovem Jedi a seguir o lado escuro da Força e
derrotar o Imperador de uma vez por todas, assumindo o controle total do
império ao seu lado.
Falando no
imperador Cos Palpatine, a aparição deste também aumenta, e muito, o peso
dramático do filme. Nos longas anteriores víamos Palpatine apenas através de hologramas,
neste episódio de encerramento, presenciamos o mesmo em carne e osso, durante
muitas cenas do filme e pode apostar, apesar deste não possuir traços tão
marcantes quanto os de Vader, ele se revela tão assustador quanto o seu
subordinado. Outra característica marcante de Palpatine reside na oratória
deste. Sempre disposto a persuadir às pessoas a seguirem os seus ideais ao
invés de simplesmente descarregar seus poderes nestas, o imperador apela a Luke
para que este se junte a ele utilizando sempre diálogos extremamente
convincente, como por exemplo a cena em que mostra ao rapaz as terríveis baixas
que a Aliança Rebelde está sofrendo no confronto direto com o Império e que a
única possibilidade de salvá-los é justamente unindo-se ao lado escuro da
Força. O imperador também desempenha um papel muito importante para o destino
final de Vader e Skywalker e colabora para que o combate entre ambos tenha um
resultado final tão dramático quanto teve no longa anterior.
Apesar de ficar
bem aquém dos outros dois episódios da trilogia, “O Retorno de Jedi” conta com um roteiro que se preocupa em amarrar,
de maneira fascinante (salvo em um outro caso onde se mostra extremamente
artificial ao fazê-lo), as pontas que os seus antecessores deixaram em aberto e
desenvolve a química entre Luke Skywalker e Darth Vader de um modo épico. O
imperador Cos Palpatine, que antes só nos era apresentado via hologramas,
aparece em carne e osso neste episódio final e ganha uma abordagem digna de
líder de Darth Vader. Os aspectos técnicos do filme são fantásticos, a direção
de arte cria cenários inesquecíveis e os efeitos visuais são os melhores de
toda a trilogia, além, é claro, de possibilitarem com que as lutas de sabre de
luz sejam mais realistas e empolgantes que as dos filmes anteriores. O longa,
no entanto, se revela falho em muitos de seus aspectos, sobretudo pelo início
desnecessariamente longo, pelos alívios cômicos pífios e, principalmente, por
não contar com seqüências de aventura realmente marcantes, como os episódios
anteriores conseguiram fazer. Um ótimo filme, mas não há como negar que a saga
“Star Wars” merecia um desfecho bem
mais digno.
Avaliação Final:
8,0 na escala de 10,0.
Obs.: Outro erro que o leitor Ricardo Bianchetti me alertou: no 12° parágrafo do texto, havia escrito: "...imagine só neste “O Retorno do Rei” o impacto emocional que a mesma causa...", pois é, sou fã de "Star Wars", mas sou ainda mais fã de "O Senhor dos Anéis", sendo assim, não pude evitar tal equívoco, felizmente informado pelo Ricardo. Ricardo, muitíssimo obrigado
pelas sugestões e caso mais algum leitor tenha algo a sugerir, favor
enviar uma mensagem diretamente a mim, ao administrador, ou, se
preferir, deixar um recado no campo destinado aos comentários dos
usuários do site.