Estava
completamente atrasado (e ainda estou, diga-se) com relação à publicação das
críticas dos filmes recentes aqui no Papo Cinema em virtude ao tempo que tive
de me dedicar aos textos especiais que estive escrevendo recentemente sobre a
saga “Star Wars”. Uma vez finalizados
tais textos, nada melhor do que ser demasiadamente oportunista e regressar à
sessão “Filmes Recentes” entrando no embalo da saga criada por George Lucas e
escrevendo sobre o mais novo episódio desta, cujo título vem a ser: “Star Wars – The Clone Wars”. Quem leu os
meus textos sobre os demais episódios da franquia deve ter percebido que,
apesar de não conferir nota máxima a nenhum dos filmes, sou fã incondicional
dos mesmos, sendo assim, é praticamente impossível eu ser objetivo, deixar o
lado fanzóide inerte e, por mais que reconheça que este novo episódio contenha
uma infinidade de defeitos, não há como negar o quanto ele conseguiu
cativar-me, a ponto de me fazer sonhar com o mesmo durante esta noite (assisti
ao longa no cinema, no dia 30 de agosto de 2008 às 19hs da noite).
Ficha
Técnica:
Título
Original: Star Wars: The Clone Wars Gênero: Animação/Aventura/Ficção Científica Tempo de Duração: 98 minutos Ano de Lançamento (EUA): 2008 Site Oficial: http://www.starwars.com/clonewars Estúdio: LucasFilm Ltda. Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation Direção: Dave Filoni Roteiro: Henry Gilroy, Steven Melching, Scott Murphy e George Lucas Produção:
George Lucas, Catherine Winder e Sarah Wall Desenhista: Sianoosh
Nasiriziba Música: Kevin Kiner Desenho de Produção: Dawn Turner Direção de Arte: Russell G. Chong e Darren Marshall Edição: Jason Tucker Elenco (vozes): Matt Lanter (Anakin
Skywalker), Ashley Eckstein (Ahsoka Tano), James Arnold Taylor (Obi-Wan
Kenobi), Dee Bradley Baker (Capitão Rex, Clones, Cody), Tom Kane (Mestre Yoda),
Christopher Lee (Conde Dookan), Nika Futterman (Asajj Ventress), Ian
Abercrombie (Chanceler Palpatine, Lorde Darth Sidious), Corey Burton (General
Loathsom, Ziro, o Hutt), Catherine Taber (Padmé Amidala), Matthew Wood (Dróides
de Batalha), Kevin Michael Richardson (Jabba, o Hutt), David Acord (Rotta, o
Hutt), Samuel L. Jackson (Mace Windu) e Anthony Daniels (C3P-O).
Sinopse: Após ter o seu filho
seqüestrado, o gangster Jabba, o Hutt, do planeta Tatooine, contata a República
e o Conselho Jedi para fazer um trato com estes: caso consigam resgatar a
criança, eles terão livre acesso às terras do planeta desértico,poderão realizar operações estratégicas e
militares no mesmo e, principalmente, contarão com o apoio de Jabba na guerra
contra os separatistas. Para obter êxito em tal resgate o Conselho Jedi envia
Anakin Skywalker e a sua jovem Padawan, Ahsoka Tano, para liderarem um grupo de
soldados que irão se empenhar na libertação do seqüestrado. Contudo, os
separatistas, liderados por Conde Dookan, também têm um forte interesse em
adquirir o apoio de Jabba e tentarão o possível a fim de prejudicar a missão
liderada por Skywalker.
Star Wars – The Clone Wars – Trailer:
Crítica:
De tanto ouvir a
crítica especializada desmoralizar este “Star
Wars - The Clone Wars” (agora o megalomaníaco George Lucas não autorizou
nem mesmo a tradução do subtítulo do longa) acabei indo ao cinema sem muita
expectativa para conferir o mesmo, mas ainda assim, na condição de fã absoluto da
série, estava gratificado pela vida ter me dado mais uma oportunidade de poder assistir
a mais um episódio desta incrível saga nas telonas. O resultado?
Surpreendentemente, adorei o filme.
Que o mesmo conta
com uma infinidade de defeitos, em especial os diversos furos de seu roteiro,
isso não é nenhuma novidade, mas ainda assim considerei-o um longa
divertidíssimo, além, é claro, de nos ofertar outra oportunidade de ficarmos
frente a frente com personagens que nos cativaram outrora, como é o caso de
Obi-Wan Kenobi, Anakin Skywalker e, certamente, Mestre Yoda.
A estória não
deixa de ser interessante, em especial a premissa, mas há um grave problema
inserido nela antes mesmo de o filme ter o seu início: a incompatibilidade
desta com o subtítulo do longa. Quem vai aos cinemas imaginando que irá presenciar
uma ampla abordagem sobre as famosas Guerras Clônicas (mencionadas por Luke
Skywalker no quarto episódio da saga, no momento em que ele conhece Obi-Wan
Kenobi e fica impressionado quando o segundo lhe revela que participou de tais
conflitos) com certeza será negativamente surpreendido.
O roteiro, de
fato, aborda ligeiramente as tais Guerras Clônicas, mas estas acabam sendo
relegadas ao segundo plano, uma vez que a animação opta por retratar o rapto do
filho de Jabba, o Hutt, e os esforços realizados pela República com o intento
de resgatar a criança. Certamente é muito interessante assistirmos ao salvamento
liderado por Anakin Skywalker e sua nova aprendiz, Ahsoka Tano, mas o problema
maior está no propósito do mesmo.
Segundo os
membros do Conselho Jedi, caso o resgate do filho de Jabba seja bem sucedido, o
Hutt irá colaborar com eles na guerra contra os separatistas e o apoio deste é
indispensável para a vitória da República. No entanto, há uma visível
discrepância contida nesta missão: se o grande líder do planeta Tatooine é tão
poderoso quanto os membros do Conselho Jedi prevêem, por que ele mesmo não se
vê capaz de formar o seu próprio exército e resgatar o filho? Ao invés disso, a
criatura pede auxílio aos Jedi que, utilizando unicamente dois de seus membros
e mais alguns pouquíssimos soldados do gigantesco exército dos Clones,
conseguem cumprir a tarefa que um exército inteiro, que aparentava ser tão
poderoso a ponto de ser indispensável aos olhos da Federação, não se vê capaz
de cumprir com êxito.
Mas os furos do
roteiro, infelizmente, não param por aí. Principalmente se analisarmos este “The Clone Wars” da maneira que ele deve
ser analisado, como um episódio de ligação entre o segundo e o terceiro
capítulo da saga. Em “A Vingança dos Sith”,
ficou mais do que claro que um dos maiores motivos que fizeram com que Anakin
pendesse ao lado escuro da Força foi justamente a falta de confiança que o
Conselho Jedi lhe depositava, relegando-o à posição de um mero coadjuvante,
quando na verdade, este, em virtude de seu forte orgulho, almejava ser o protagonista
de muitas missões.
Neste “The Clone Wars”, no entanto, o mesmo Conselho
que, futuramente, viria negar a Anakin a liderança de missões menos complexas
alegando que o jovem Padawan era muito pré-potente, impulsivo e despreparado
para tal, atribui ao mesmo, incongruentemente, a responsabilidade de liderar
uma tarefa de alta periculosidade, cujo fracasso poderia vir a resultar na
derrota da República, durante um dos momentos mais conturbados de toda a sua
história.
Incongruente
também é a decisão do roteiro que opta por inserir duas personagens cujos
destinos ficam em aberto com o término da película. Refiro-me à Ahsoka Tano
(que, ao contrário da grande maioria das pessoas, não me irritou profundamente.
Longe disso, gostei da inserção da mesma na trama, conforme comentarei mais em
breve) e a vilã Asajj Ventress. Se a intenção deste “The Clone Wars” era funcionar como um episódio de liga ao segundo e
ao terceiro capítulo, por que então tivemos a inserção de duas personagens que
nem ao menos voltariam a aparecer em qualquer um dos dois episódios (“O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”) da saga? Se ao
menos o roteiro tivesse se incumbido de dar um destino às mesmas, mas nem isso
ele fez, simplesmente as inseriu na estória e esqueceu-se de que, no terceiro
episódio, nenhuma das duas nem ao menos aparecem e / ou recebem uma singela
menção, que seja.
Mas nem tudo no filme
são defeitos. Não, muito pelo contrário. É verdade que o roteiro de “The Clone Wars” conta com uma infinidade
de furos e erros, conforme fora previamente mencionado, e a animação falha
gravemente ao tentar funcionar como amálgama entre “O Ataque dos Clones” e “A
Vingança dos Sith”, mas se o analisarmos apenas como uma obra de
entretenimento, este se revela uma ótima opção.
Contando com
seqüências de aventura cujo alto nível de adrenalina somente uma animação
poderia nos proporcionar (uma vez que esta confere uma vasta gama de movimentos
aos personagens que, se fossem feitos de carne e osso, não contariam com a
mesma flexibilidade), o filme é pura tensão, do intróito ao cabo, e suas cenas
de ação são extremamente cativantes e envolventes, sobretudo as lutas de sabre
de luz.
Evidentemente
que nenhuma luta de sabre de luz inserida neste “The Clone Wars” se equipara ao conflito travado entre Qui-Gon Jinn,
Obi-Wan Kenobi e Darth Maul em “A Ameaça
Fantasma”, ou ainda ao duelo entre Mestre Yoda e Conde Dookan em “O Ataque dos Clones” e, principalmente, à
luta travada entre Obi-Wan Kenobi e Anakin Skywalker em “A Vingança dos Sith”, mas não há como negar que a adrenalina
proporcionada através dos duelos travados entre Obi-Wan Kenobi e Asajj
Ventress, Anakin Skywalker e Conde Dookan (este, inclusive, infinitamente
superior à luta ocorrida entre os mesmos protagonistas no início de “A Vingança dos Sith”) e o dificílimo
combate entre Ahsoka Tano e três dróides de última geração é fortíssima e faz
com que o filme valha cada centavo de seu ingresso.
Muito tem-se
comentado também sobre a personagem Ahsoka Tano e o quão irritante esta é.
Particularmente, a mesma não conseguiu causar-me quaisquer espécies de
neurastenia ou coisas do tipo. Muito pelo contrário, confesso ter me
surpreendido com a jovem Padawan. As habilidades presentes nela são incríveis e
o trabalho desempenhado pela garota revela-se de suma importância para o êxito
da missão. É claro que as vestimentas e os trejeitos egípcios que a
caracterizam se mostram um tanto o quanto artificiais e oportunistas (uma vez
que Ahsoka caminha, durante boa parte do filme, pelos extensos desertos de
Tatooine, que muito nos remete à lembrança do Egito), mas creio que este seja o
único detalhe que tenha me deixado verdadeiramente indiferente com a presença
da garota (além, é claro, de o roteiro não ter previamente justificado o porquê
desta simplesmente não aparecer e, nem ao menos ser mencionada, no terceiro
episódio da saga, conforme já fora citado alguns parágrafos acima).
Um outro aspecto
que tem sido muito criticado negativamente neste mais novo episódio que carrega
o nome da brilhante franquia cinematográfica “Star Wars” é a qualidade técnica de sua animação. Em tempos onde
personagens desenhados se mostram quase tão reais quanto personagens de carne e
osso, tamanha a evolução tecnológica desenvolvida pelos estúdios da Pixar e da
Dreamworks (em especial o primeiro), como é o caso do carismático robozinho
protagonista do excelente “Wall-E”, era
de se esperar que este “The Clone Wars”
conta-se com uma qualidade gráfica bem mais avançada do que a que fora
definitivamente apresentada aqui.
No entanto, não
sou destes críticos que analisam um filme tomando por base uma outra obra
cinematográfica. Olhando por este prisma e analisando “The Clone Wars” individualmente, podemos chegar à conclusão que, se
a animação não faz jus a um “Wall-E”
ou a um “Kung Fu Panda” no que diz
respeito à sua parte gráfica, ela, ao menos, se mostra demasiadamente satisfatória
neste quesito e, além de seus personagens terem sido muito bem desenhados, a
movimentação destes é bastante convincente (salvo a movimentação ocular, que é
a única restrição que faço aos mesmos).
A trilha-sonora
também tem sido alvo de críticas extremamente negativas, principalmente vindas
por parte dos saudosistas que idolatravam John Williams. Certamente, a
genialidade de Kevin Kiner nem ao menos arranha a do compositor responsável pela
trilha da saga original, em especial quando o filme se inicia e tomamos ciência
de que a clássica música de abertura teve alguns acordes acrescentados, fato
que adiciona algumas “gordurinhas” desnecessárias à mesma, mas não há como
negar que a mescla de New Metal com Heavy Metal foi uma idéia genial de Kiner (apesar de eu detestar o primeiro sub-gênero musical citado) e torna as
seqüências de ação do longa ainda mais eletrizantes do que elas já seriam por
si só.
A direção de
Dave Filoni também é uma característica que se revela bastante satisfatória.
Durante o início do filme, as câmeras se movimentam com bastante versatilidade
a fim de acompanhar as batalhas travadas entre a República e os separatistas no
planeta Kristophsis. Com o desenrolar da trama, no entanto, a direção de Filoni vai
perdendo o seu ritmo, mas ainda assim se mostra satisfatória e convincente o
bastante a ponto de chamar a atenção do público até o seu último segundo de
projeção, conferindo sempre muita dinamicidade ao longa.
Em suma, “Star Wars – The Clone Wars” é uma
animação que conta com inúmeras falhas e furos em seu roteiro e se revela
demasiadamente frágil se a analisarmos como um capítulo que serve de amálgama entre
o segundo e o terceiro episódios. Contudo, analisando-a individualmente, a
animação é bem feita e funciona com bastante eficácia se tomarmos esta apenas
como uma obra descompromissada de entretenimento. Seus aspectos técnicos são
muito satisfatórios, Dave Filoni realiza uma direção competente, a trilha-sonora,
apesar de não se equiparar à de John Williams nem nos sonhos mais bizarros que
o espectador possa ter, confere ainda mais ritmo às fascinantes e estonteantes
seqüências de ação (estas que, de longe, são a maior qualidade do filme) e os
personagens, apesar de conterem algumas falhas, são interessantes em sua
maioria.