Da mesma forma
que não almejava assistir a “Violência
Gratuita” por não gostar nem um pouco do rumo que os filmes de suspense
estão tomando atualmente, também não almejava assistir a este “Super-Heróis – A Liga da Injustiça”
(definitivamente, o título nacional mais ridículo de todos os tempos), pelo
mesmíssimo motivo (com a diferença de que este último diz respeito ao fato de
eu detestar os filmes de comédia atuais, é claro). Entretanto, o longa de Michael
Haneke me surpreendeu bastante, diferentemente desta bomba de Jason Friedberg e
Aaron Seltzer que se revelou exatamente aquilo que eu esperava que ela fosse:
um lixo fétido e pútrido. Também, o que se poderia esperar de uma obra cujo
título nacional é “Super-Heróis – A Liga
da Injustiça”? A propósito, qual é a congruência do título com a obra em
si, uma vez que o alvo principal do longa não é os filmes de super-heróis? Pois
é, que os títulos nacionais estão cada vez mais ridículos, isso não se tenha
dúvida, agora, os tradutores não precisavam baixar tanto o nível, não
concordam? Enfim, antes o único defeito desta porcaria fosse o título nacional,
ou o título original que seja, ao menos a experiência teria se saído um pouco mais
tolerável do que se saiu.
Ficha
Técnica:
Título Original: Disaster Movie.
Gênero: Comédia.
Ano de
Lançamento: 2008. Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 90 minutos. Diretor: Jason Friedberg e Aaron Seltzer. Roteirista: Jason Friedberg e Aaron Seltzer. Elenco: Matt
Lanter (Will), Vanessa Minnillo (Amy), G. Thang (Calvin), Nicole Parker (Princesa
Encantada / Amy Winehouse / Jessica Simpson), Crista Flanagan (Juney / Hannah
Montana), Kimberly Kardashian (Lisa), Ike Barinholtz (Lobo / Anton Chigurh / Oficial
da Polícia / Hellboy / Batman / Beowulf / Príncipe Caspian), Carmen Electra (Bela
Assassina), Tony Cox (Indiana Jones), Tad Hilgenbrink (Príncipe), John Di
Domenico (Dr. Phil / Guru do Amor), Abe Spigner (Flava-Flav) e outros.
Sinopse: Satirizando obras como “Juno”, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Indiana
Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, “10.000 A.C.”, “Hellboy”, “O Incrível Hulk”,
“O Cavaleiro das Trevas”, “Encantada”, “High School Musical”, “Hancock”,
e muitas outras, o filme narra a estória de um grupo de adolescentes que deve devolver
o crânio dourado de uma caveira a um altar com o intuito de evitar o fim do
mundo.
Disaster Movie – Trailer:
Antes de
qualquer coisa, tentemos entender o que vem a ser “humor non sense”. Seria um humor ilógico, desconexo, baseado em situações
surreais e propositadamente artificiais e absurdas. E um filme que siga esta
linha de humor é, necessariamente, um filme ruim? Claro que não, muito pelo
contrário. Uma produção cinematográfica que adota este estilo de humor
geralmente é deveras criativa e, justamente pelo fato de ser desconexa e
absurda, consegue ser hilária em virtude de sua falta de nexo. Este é o caso de
filmes como “Top Gang”, “Corra Que a Polícia Vem Aí” e a trilogia
“Monty Python”, sobretudo “A Vida de Brian” que é o meu filme de
comédia favorito.
Mas o que
acontece então quando uma obra de comédia almeja seguir a linha de humor dos
filmes supracitados, mas não demonstra uma única gota de originalidade durante
a sua execução? Acontece que temos uma enxurrada de lixos cinematográficos
estadunidenses despejados sobre nós, pobres mortais, que nada temos a ver com a
incompetência de profissionais (profissionais?!) da Sétima Arte que se
responsabilizam por asneiras dispensáveis e deploráveis, como é o caso de “Todo Mundo em Pânico”, “Uma Comédia Nada Romântica”, “Deu a Louca em Hollywood”, “Os Espartalhões” e, mais recentemente,
este “Super-Heróis – A Liga da Injustiça”
(que sem dúvida alguma possui a pior tradução de título da história de nossa
nação, conforme já fora mencionado na pré-crítica desta produção) que conseguiu
a façanha de ser pior que os demais filmes citados.
Ops, esperem um
segundo, há uma forte ligação entre as obras (obras?! Gargalhadas) mencionadas,
não há? Pois é, os repugnantes nomes dos ainda mais repugnantes Jason Friedberg
e Aaron Seltzer estão ligados, de uma forma ou de outra, a todas elas. O
problema é que, desta vez, eles conseguiram extrapolar as margens da
mediocridade (e desta vez falo no sentido mais pejorativo o possível da
palavra, e não referindo-me à qualidade de “mediano”, como sempre faço) e
roteirizaram e dirigiram não só o pior filme do ano até então, como também o
pior filme deste início de século e um dos piores filmes de todos os tempos
(nossa, quanta redundância de minha parte! Creio que ainda estou afetado com a
burrice do filme que acabei de assistir a pouco).
Uma coisa é uma
produção seguir uma linha de humor demasiadamente absurda e desconexa fazendo-o
com originalidade (como é o caso de “Monty
Python – Em Busca do Cálice Sagrado”), ou, ao menos, com eficiência (como é
o caso de “Corra Que a Polícia Vem Aí”
ou “Top Secret”), outra coisa é uma
produção seguir a mesma linha de humor apelando a todas as “piadas-prontas” que
se possa imaginar. Neste “Super-Heróis –
A Liga da Injustiça” temos todos os clichês do gênero que se possa
imaginar: incluindo cenas que envolvem fezes de animais, arrotos, pancadas na
bolsa escrotal, entre muitos outros recursos sem a menor graça, mas que, aqui,
são utilizados à exaustão.
É claro que tais
clichês não implicariam necessariamente em um grave defeito do filme caso os
mesmos funcionassem, mas o problema é que, definitivamente, não funcionam. As inúmeras
tentativas que o longa emprega a fim de satirizar diversas produções atuais
também são todas falhas. Repare na patética tentativa que o filme realiza ao
zombar a, já clássica, seqüência de “Onde
os Fracos Não Têm Vez” em que o psicótico Anton Chigurh joga uma moeda para
cima a fim de decidir o destino de sua vitima. Tal seqüência é descaradamente
copiada em “Super-Heróis – A Liga da
Injustiça”, com a única diferença do final da mesma, ou seja, eles imitam a
obra dos Cohen, mas nem se preocupam em tentar satirizá-la de forma decente.
Pior ainda é o
que os roteiristas fazem com a ótima comédia “Juno”. O telefone em formato de hambúrguer utilizado pela
adolescente protagonista da comédia roteirizada por Diablo Cody é substituído
aqui por um hambúrguer de verdade. “Engraçado”, não? Pois é, “engraçado” e
“criativo” (modo sarcástico desativado a partir de agora). Aliás, graça e
criatividade são dois adjetivos que, em momento algum, parecem ter sido
empregados durante os, aproximadamente, 90 minutos de projeção.
E já que a
personagem Juno fora mencionada no parágrafo acima, devo dizer que é, no
mínimo, ridícula e frustrante a atuação de Crista Flanagan, que satiriza,
durante boa parte do filme, a personagem brilhantemente interpretada por Ellen
Page. Além da garota protagonizar boa parte das piores piadas inseridas no
roteiro, ela conta com maneirismos que não soam nem um pouco característicos se
comparados aos que eram adotados pela personagem original. Quanto às demais
atuações, nem perderei o meu tempo comentando-as, pois nem ao menos vale a pena.
A propósito,
perda de tempo (e dinheiro, diga-se) é tudo o que você, caro leitor, obterá
assistindo a esta bomba em larga escala. Contando com um roteiro que consegue a
façanha de despejar em seus espectadores uma piada sem graça a cada três
segundos, “Super-Heróis – A Liga da
Injustiça” (por um acaso já comentei que este é o pior título que os
tradutores nacionais já adotaram a uma obra cinematográfica estrangeira?) se
revela um forte candidato a faturar os principais prêmios da próxima edição do
Framboesa de Ouro, especialmente no que diz respeito a pior roteiro.
Ah, e antes que
me esqueça, se pudesse aconselhar os produtores deste lixo da Sétima Arte (fica
até estranho chamar isso de Arte), diria a eles que seria muito mais
conveniente mudarem o título original do longa de “Disaster Movie” (“Filme
Desastre”) para “Disaster of Movie”
(“Desastre de Filme”). O quê? Meu
trocadilho foi infame e sem graça? Pois é, admito que sim, mas de qualquer
maneira foi mais eficiente que 90% das piadas inseridas nesta bomba
cinematográfica, para se der uma idéia mais clara da mediocridade (e mais uma
vez falo no sentido pejorativo da palavra) da mesma.