Para todos
aqueles que se dizem fãs de Robert De Niro e Al Pacino, não há nada mais
compensador do que vê-los atuando juntamente, dividindo a mesmíssima cena.
Destarte, todo filme que traga as duas maiores lendas vivas de Hollywood (no que diz respeito à profissão
de ator, é claro) reunidas merece ser conferido, nem que as únicas qualidades deste
residam na atuação de ambos. Se ainda levarmos em conta que é cada vez mais
raro este tipo de reunião ocorrer (uma vez que, segundo alguns tablóides, De
Niro e Pacino não se simpatizam muito), uma obra que traga como principal
ingrediente esta magistral dupla de atores ganha muitíssimo crédito e torna-se
obrigatória a qualquer um que se diga amante das Artes Cênicas. Em 1.995 os fãs
do (bom) Cinema puderam conferir o desempenho de ambos os atores no ótimo “Fogo Contra Fogo” que, além de nos
brindar com uma magnífica dinâmica desenvolvida pela dupla, possuía um roteiro
muito bom e uma interessante direção de Michael Mann. Infelizmente este “As Duas Faces da Lei” não obteve o mesmo
êxito que o longa da década passada e ficou bem aquém do que podia se esperar
de uma obra protagonizada pela dupla de atores vivos mais fantástica de Hollywood.
Ficha
Técnica:
Título Original: Righteous Kill.
Gênero: Policial.
Ano de Lançamento:
2008. Site
Oficial:www.righteouskill-themovie.com Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 93 minutos. Diretor: Jon Avnet. Roteirista: Russell Gerwitz. Elenco: Al
Pacino (David Fisk), Robert De Niro (Thomas Cowan), John Leguizamo (Detetive
Perez), Donnie Wahlberg (Detetive Riley), Carla Gugino (Karen Kleisner), 50
Cent (Spider), Brian Dennehy (Tenente Hingus), Frank Jhn Hughes (Randall),
Shirley Brener (Natalya), Adrian Martinez (Glenn), Trilby Glover (Jessica) e
Antonino Paone (Matthew Natrella).
Sinopse: Ao investigar o assassinato de
um popular cafetão, a dupla de detetives Thomas Cowan (Robert De Niro) e David
Fisk (Al Pacino) se vê diante de um crime parecido com um outro que fora
investigado por eles mesmos anos atrás. Da mesma forma que ocorreu no
assassinato anterior o homicida desta vez também deixou um poema justificando o
crime. Mais assassinatos desta natureza passam a acontecer e os policiais logo
se dão conta de que estão diante de um serial
killer e que, possivelmente, prenderam as pessoas erradas na investigação
anterior.
Righteous Kill - Trailer:
Crítica:
Frustrante. Esta
palavra define bem a sensação que se tem ao terminar de assistir a este “As Duas Faces da Lei” no cinema. Toda a expectativa
gerada em volta do retorno da dupla Pacino e De Niro (eles atuaram juntos pela
primeira vez no thriller “Fogo Contra Fogo”, há 13 anos, desde
então, jamais voltaram a repetir a dose) fora por água abaixo, gerando um filme
constituído por uma sinopse bastante interessante, mas trabalhada de maneira
extremamente artificial pelo roteiro (que conta com o final mais forçado dos
últimos tempos), que acaba se salvando ligeiramente graças às atuações de seus
protagonistas e à direção de Jon Avnet que, embora se revele extremamente
irregular durante o desenrolar da trama, confere bastante ritmo ao longa
durante o seu primeiro ato.
Certamente, o
maior problema com “As Duas Faces da Lei”
reside na auto-confiança adquirida pelo mesmo, uma vez que este chega à errônea
conclusão de que basta ter as duas maiores lendas vivas de Hollywood (e quando digo “maiores lendas vivas” refiro-me
unicamente à profissão de ator) como ingrediente principal para se realizar uma
obra brilhante e magnífica. O problema é que os responsáveis pelo filme se
esquecem de que o principal ingrediente de uma obra-cinematográfica é o roteiro
da mesma. Não que a estória do longa seja das piores, longe disso (apesar da
mesma conter inúmeras falhas), mas o bem da verdade é que o mínimo que se pode
esperar de um roteiro decente é que o mesmo aborde seus personagens principais
de modo que faça o público se cativar com eles.
Em “As Duas Faces da Lei” a dupla de tiras
interpretada por De Niro e Pacino é simplesmente jogada na tela e o filme
sugere que o espectador, logo de cara, sinta-se envolvido pelos mesmos. Mas
como podemos nos envolver com dois personagens que mal nos foram apresentados?
Pois é, como havia mencionado anteriormente, é justamente aí que reside o maior
defeito do filme: o de deduzir que somente o fato de contar com dois atores
carismáticos e lendários em cena bastaria para que nos cativássemos
instantaneamente com os seus respectivos personagens. Ledo engano.
Vide o
personagem de Pacino, por exemplo. Não fosse a magistral atuação do eterno
Michael Corleone, o detetive David Fisk não possuiria a menor razão de existir,
uma vez que o mesmo nem ao menos diz a que veio na trama. Ou melhor, além de
dar espaço para que o brilhante ator mostre todo o seu potencial, o personagem
de Pacino tem sim um outro propósito no filme, afinal de contas, não fosse por
ele, o desfecho de “As Duas Faces da Lei”
seria completamente diferente. E é aí que caímos em um outro dilema: será que
não valeria a pena o encerramento desta película ser completamente diferente,
uma vez que o mesmo soa deveras artificial?
E o que podemos
dizer então da postura de “cara durão” dos personagens de Robert De Niro e Al
Pacino? Se há algo que me atraiu imensamente no ótimo “Rocky Balboa” foi a perspicácia que o roteiro, e o próprio
Stallone, tiveram em reconhecer e admitir que um dos maiores astros dos anos
1970 estava velho demais para bancar o rapagão durão, conforme o fizera anos
atrás. Os responsáveis por este “As Duas
Faces da Lei” teriam que ter tido a mesma perspicácia e, ao invés de
exibirem ambos os atores esmurrando bandidos, fazendo carrancas e mantendo
conjunções carnais com jovens mulheres, deveriam nos apresentar aos
protagonistas do longa de um modo mais realista, convincente e bem menos
exagerado.
Outra falha crassa
contida no longa é a dificuldade que o roteiro encontra ao tentar definir um
gênero a si mesmo. Não sabemos ao certo se estamos diante de um drama policial,
ou simplesmente de um filme policial, ou de um drama convencional, ou ainda de
um filme de suspense ou um thriller. É claro que, caso o roteirista Russell
Gerwitzhouvesse, ao menos, explorado de
maneira decente cada um destes gêneros, teríamos um longa bastante rico e
cativante, mas não é isso o que acontece. Como drama, o filme falha, pois
explora os seus protagonistas de maneira pouco satisfatória; como policial o
maior defeito reside na estória, que é inicialmente interessante, mas durante o
desenrolar da trama se revela muito artificial e, por fim, como suspense ou
thriller, o longa decepciona, pois jamais consegue passar tensão ao espectador
da maneira que deveria (muito pelo contrário, o filme é bem chato, diga-se).
Sendo assim,
podemos concluir que as únicas qualidades da obra dizem respeito às brilhantes
atuações de sua dupla de protagonistas e à direção dinâmica de Avnet que,
apesar de se revelar simples demais durante o desenrolar da trama, se mostra
bastante competente durante o início do longa, conferindo bastante ritmo a
este. No mais, somos obrigados a encarar um filme totalmente falho e
decepcionante, do tipo que De Niro e Pacino deveriam passar longe a fim de
preservarem as próprias carreiras que, em um passado muito, muito distante,
arrancaram diversos dos momentos mais marcantes, inspirados e clássicos da
história do Cinema.