Eu sei que este
será o típico comentário de um indivíduo que acabara de falhar na tentativa de
ter uma ereção com uma mulher entre quatro paredes, mas é justamente o que
estou sentindo no exato momento, estou com aquela incômoda sensação de que
“isto nunca me aconteceu antes”. “___Isto
o quê?”. Pergunta-me o leitor. A falta de inspiração em escrever um texto a
respeito do filme que acabei de assistir. Posso ter inúmeras falhas como
crítico de Cinema, mas creio que do mal da falta de inspiração não sofro. Independentemente
do que penso sobre uma determinada obra cinematográfica, no que diz respeito à
qualidade da mesma, sempre encontro o mínimo de inspiração necessária a fim de
escrever sobre esta, fato que não ocorreu comigo logo após o término deste “Busca Implacável”. O que falar de um
filme que, a meu ver, não fede e não cheira (na verdade cheira um pouco mais do
que fede)? Pois é, encontro-me neste dilema no exato momento, mas enfim, farei
o possível para ilustrar ao leitor a minha opinião sobre o mesmo.
Ficha Técnica:
Título
Original: Taken.
Gênero: Ação.
Ano de Lançamento: 2008. Site Oficial:http://www.takenmovie.com/ Nacionalidade: França.
Tempo de Duração: 93 minutos. Diretor: Pierre Morel. Roteirista: Luc Besson, e Robert Mark Kamen. Elenco: Liam Neeson (Bryan), Xander Berkeley (Stuart), Maggie Grace
(Kim), Olivier Rabourdin (Jean Claude), Famke Janssen (Lenore), Katie Cassidy
(Amanda), Nicolas Giraud (Peter), Leland Orser (Sam), Jon Gries (Casey), David
Warshofsky (Bernie), Holly Valance (Diva), Gérard Watkins (Saint Clair), Arben
Bajraktaraj (Marko),
Radivoje Bukvic (Anton), Camille Japy (Isabelle), Valentin Kalaj (Vinz) e Marc
Amyot (Farmacêutico).
Sinopse: Após ouvir, através de uma
ligação telefônica, sua filha única sendo seqüestrada em Paris, Bryan (Liam
Neeson), um agente secreto aposentado, parte de Los Angeles à capital da França
com o intento de resgatar a garota. O que Bryan não sabe é que a gangue que
seqüestrou a jovem é de alta periculosidade e isto dificultará muito a sua
missão.
Taken – Trailer:
Crítica:
Não, não confie
na sinopse supracitada. Sim, eu sei, ela foi escrita por mim, assim como a
grande maioria das sinopses dos vários filmes encontrados neste site, mas ainda
assim peço ao leitor que não confie plenamente na mesma, mormente no final
desta onde aparece escrito: “gangue... de
alta periculosidade”. O motivo? Por mais perigosos e numerosos (e realmente
são numerosos) que os bandidos aparentem ser, o protagonista Bryan se mostra capaz
de derrotá-los facilmente, em fração de segundos. Em suma, a gangue não
aparenta ser de tão alta periculosidade conforme aponta a sinopse, uma vez que
o protagonista os derrota com uma facilidade demasiadamente artificial.
“___ Seria Bryan o estereotipo do mocinho dos
filmes de ação produzidos nos anos 80 e protagonizados por ArnoldSchwarzenegger
e Silvester Stallone?” ___ Me pergunta o leitor. Eu respondo: “___ Sim e (ao mesmo
tempo) não!”.
O personagem de Liam Neeson segue sim o estereotipo do protagonista durão que
enfrenta e desmantela uma quadrilha inteira de marginais com a maior facilidade
do mundo, mas há algumas peculiaridades que o diferencia de ícones como John
Rambo e Coronel John Matrix, dentre as quais cito: a sua consistência física (Bryan
foge do estereotipo do ex-militar musculoso), sua dependência por aparelhos
tecnológicos e a perspicácia em saber utilizá-los (lembrando muito James Bond),
suas atitudes politicamente incorretas (fugindo do mocinho bonzinho
convencional que filmes deste tipo nos apresenta. Repare na maneira fria como
Bryan, a fim de obter informações, atira em uma pessoa inocente e eletrocuta um
criminoso) e o modo como este é bem encarnado mediante a boa atuação do ator norte-irlandês
(uma vez que Stallone e Schwarzenegger interpretavam muito mal seus respectivos
personagens, ao contrário de Neeson nesta produção).
Mas se Bryan não é
necessariamente o estereótipo de John Rambo e conta com uma atuação bastante
interessante do sempre excelente Liam Neeson, o roteiro do filme, infelizmente,
não se esforça nem um pouco para criar diálogos inteligentes a fim de compor o protagonista
de um modo mais dramático e natural. Sendo assim, somos obrigados a ouvir o
mesmo proferindo baboseiras do tipo: “___ Vocês seqüestraram minha filha,
pois saibam que conto com um conjunto particular de habilidades adquiridas ao
longo de minha carreira como agente secreto e estou disposto a utilizar todas
elas contra vocês.”. Mais pedante, megalomaníaco e artificial, impossível, não é mesmo?
E o que dizer então do argumento,
que nada mais é do que uma cópia descarada da sinopse de “Comando Para
Matar”? A
única diferença aqui é que as situações pelas quais o protagonista passa são um
pouco desiguais e a estória ocorre em Paris. E já que mencionamos a histórica cidade
luz, não há como não reparar na falha tentativa que o longa realiza ao almejar
ser uma espécie de cartão-postal da Capital da França. Repare, por exemplo, no
modo como o diretor Pierre Morel se esforça para, sempre que
possível, criar uma tomada aérea com o intento de exibir os pontos turísticos
da cidade, em especial a Torre Eifel. O problema é que tais atitudes se revelam
gritantemente artificiais e indelicadas e, sejamos francos, o tipo de público
que vai aos cinemas assistir a este “Busca
Implacável” (e que titulizinho mais ridículo este, não? Tanto o original
quanto, principalmente (só para “variar”), o nacional) não têm o intento de
conhecer Paris mediante tomadas aéreas, e sim de conferir cenas de ação
eletrizantes.
“___ E tais cenas de ação são realmente
eletrizantes?” ___ Me pergunta o leitor. “___ Otimamente eletrizantes!” ___ Respondo eu. Aqueles que lêem os
meus textos com certa freqüência sabem perfeitamente que, ao avaliar um
determinado filme, em primeiro lugar, analiso o conteúdo artístico do mesmo e,
caso este ouse inovar de uma maneira que realmente obtenha um resultado
satisfatório, confiro-lhe, automaticamente, uma nota acima da média (que, no
caso, é 6,0). Este “Busca Implacável”
não se atreveu a inovar nem um pouco (muito pelo contrário, conta com um clichê
atrás do outro), mas ao menos consegue cumprir o seu objetivo principal, que é
entreter o público alvo, de maneira ligeiramente convincente. É o típico filme
que pode ser resumido em uma única frase: “Apresenta
mais do mesmo, mas consegue nos divertir com êxito”.
O quê? Ah sim,
comecei o parágrafo acima mencionando que as cenas de ação são ótimas e
esqueci-me de concluir tal asserção. Pois bem, corrijo-me então fazendo-o aqui.
Se falta originalidade, naturalidade e dramaticidade ao filme, ao menos ele
conta com seqüências de ação muito bem distribuídas ao longo de sua projeção e
que cumprem com maestria a função de entreter o público. Que tais cenas abusam
do absurdo, isto não se tenha dúvidas, mas não há como negar que estas nos
mantém bastante entretidos. Vide a perseguição automobilística ocorrida no meio
do filme (para se ter uma idéia do que estou afirmando) é a típica cena absurda
onde uma única pessoa consegue despistar cerca de sete ou oito veículos.
Contudo, não há como negar que tal cena consegue prender o espectador e
conferir alguma tensão a este, mesmo com a câmera excessivamente tremida de Pierre
Morel (seria ele o Michael Bay francês? Faço votos para que não).
“Busca Implacável” é o típico filme que
certamente não irá acrescentar nada de especial em sua vida, e você provavelmente
irá se esquecer deste minutos após o término da sessão, mas não há como negar
que o mesmo se revela um bom passatempo e, em muitos casos, só isso já basta.