Acredito estar tendo um sério problema com a maneira fria como os
filmes têm sido desenvolvidos recentemente. A última vez que senti algo
parecido com o que senti agora a pouco, enquanto assistia a este “ Conduta de Risco” (mais um título nacional tão ridículo, apelativo e gratuitamente descartável quanto “ Senhores do Crime”), foi quando assisti a “ Desejo e Reparação”.
Não sei exatamente o porquê, mas a maneira fria como tais filmes foram
desenvolvidos acabaram colocando uma espécie de muralha
anti-sensibilidade artística entre mim e as obras cinematográficas em
questão. É aí que o leitor comenta: “ ___ Isso acontece porque você simplesmente não gosta de filmes desenvolvidos friamente.”. Pois eu digo justamente o contrário, adoro filmes frios. Querem uma prova disso? O meu 2° filme predileto é “ 2001 – Uma Odisséia no Espaço”
e, cá entre nós, existe filme mais frio que este? Pois é, acredito que
a única escapatória que me resta é apelar ao clichê e dizer que não se
fazem mais filmes frios, sensível e artisticamente, como se faziam
outrora.
Sinopse: Michael
Clayton (George Clooney) trabalha numa das maiores firmas de advocacia
de Nova York, tendo por função limpar os nomes e os erros de seus
clientes. Tendo trabalhado anteriormente como promotor de justiça e
vindo de uma família de policiais, Clayton é o responsável por realizar
o serviço sujo da firma Kenner, Bach & Ledeen, que tem Marty Bach
(Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e
infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o
vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em um negócio arriscado o
deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o
principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos
os casos da U/North, uma empresa que é cliente da Kenner, Bach &
Ledeen, Clayton é enviado para solucionar o problema. É quando ele nota
a pessoa em que se tornou.
Crítica:
Iniciando esta análise com uma péssima metáfora: “Conduta de Risco”
me fez imaginar uma sardinha engarrafada em um recipiente para salmão.
O longa possui tudo para engrenar o expectador em uma ótima experiência
cinematográfica, mas existe uma pessoa por trás da estória que não
permite que isso realmente aconteça. O nome desta pessoa? Tony Gilroy.
E quando me refiro a este cidadão, me refiro ao Tony Gilroy roteirista
e não ao Tony Gilroy diretor (apesar deste não colaborar muito para o
desenvolvimento da trama). Contando com uma trama extremamente
interessante, bem como o seu protagonista, o diretor e roteirista deste
“Conduta de Risco” parece se perder no desenvolvimento
do filme. Temos aqui uma estória que, por si só, se revela deveras
cativante abordando o maior mal do mundo capitalista em que vivemos: as
grandes coorporações. Mas Gilroy (roteirista) não se esforça muito a
fim de criar-nos um laço realmente envolvente com a trama. Quando o
assunto é o desenvolvimento de seu protagonista, a situação se revela
ainda mais alarmante. Michael Clayton, magistralmente interpretado por
George Clooney, é uma pessoa repleta de dilemas. Sua vida se resume a
trabalhar em um emprego que detesta e acredita ser politicamente
incorreto, mas devido a certos infortúnios (que varia desde o seu vício
nos jogos de azar, até em uma fracassada tentativa de transformar-se em
empresário) fazem-no tornar-se cada vez mais dependente do salário que
este lhe proporciona. A esta altura o leitor me pergunta: “___ Temos aqui um personagem dos mais interessantes, não?”.
Correto, mas o roteiro de Gilroy não o desenvolve de maneira cativante
o bastante a ponto de fazer com que o espectador crie uma relação
realmente forte com o mesmo. Não bastasse isso, a estória do longa é
desenvolvida com a mesma frieza. Apesar de excelente, a trama se revela
tão distante que por vários minutos senti-me perdido em meio à mesma.
Com todos estes defeitos, o longa em questão se revela uma experiência
interessante, mas está longe de ser tão magnífico quanto deveria.
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
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