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Conduta de Risco
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Por Daniel Esteves de Barros, no dia 04-02-2008 23:15

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Acredito estar tendo um sério problema com a maneira fria como os filmes têm sido desenvolvidos recentemente. A última vez que senti algo parecido com o que senti agora a pouco, enquanto assistia a este “Conduta de Risco” (mais um título nacional tão ridículo, apelativo e gratuitamente descartável quanto “Senhores do Crime”), foi quando assisti a “Desejo e Reparação”. Não sei exatamente o porquê, mas a maneira fria como tais filmes foram desenvolvidos acabaram colocando uma espécie de muralha anti-sensibilidade artística entre mim e as obras cinematográficas em questão. É aí que o leitor comenta: “___ Isso acontece porque você simplesmente não gosta de filmes desenvolvidos friamente.”. Pois eu digo justamente o contrário, adoro filmes frios. Querem uma prova disso? O meu 2° filme predileto é “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e, cá entre nós, existe filme mais frio que este? Pois é, acredito que a única escapatória que me resta é apelar ao clichê e dizer que não se fazem mais filmes frios, sensível e artisticamente, como se faziam outrora.



Sinopse: Michael Clayton (George Clooney) trabalha numa das maiores firmas de advocacia de Nova York, tendo por função limpar os nomes e os erros de seus clientes. Tendo trabalhado anteriormente como promotor de justiça e vindo de uma família de policiais, Clayton é o responsável por realizar o serviço sujo da firma Kenner, Bach & Ledeen, que tem Marty Bach (Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em um negócio arriscado o deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos os casos da U/North, uma empresa que é cliente da Kenner, Bach & Ledeen, Clayton é enviado para solucionar o problema. É quando ele nota a pessoa em que se tornou.




Crítica:


 

Iniciando esta análise com uma péssima metáfora: “Conduta de Risco” me fez imaginar uma sardinha engarrafada em um recipiente para salmão. O longa possui tudo para engrenar o expectador em uma ótima experiência cinematográfica, mas existe uma pessoa por trás da estória que não permite que isso realmente aconteça. O nome desta pessoa? Tony Gilroy. E quando me refiro a este cidadão, me refiro ao Tony Gilroy roteirista e não ao Tony Gilroy diretor (apesar deste não colaborar muito para o desenvolvimento da trama). Contando com uma trama extremamente interessante, bem como o seu protagonista, o diretor e roteirista deste “Conduta de Risco” parece se perder no desenvolvimento do filme. Temos aqui uma estória que, por si só, se revela deveras cativante abordando o maior mal do mundo capitalista em que vivemos: as grandes coorporações. Mas Gilroy (roteirista) não se esforça muito a fim de criar-nos um laço realmente envolvente com a trama. Quando o assunto é o desenvolvimento de seu protagonista, a situação se revela ainda mais alarmante. Michael Clayton, magistralmente interpretado por George Clooney, é uma pessoa repleta de dilemas. Sua vida se resume a trabalhar em um emprego que detesta e acredita ser politicamente incorreto, mas devido a certos infortúnios (que varia desde o seu vício nos jogos de azar, até em uma fracassada tentativa de transformar-se em empresário) fazem-no tornar-se cada vez mais dependente do salário que este lhe proporciona. A esta altura o leitor me pergunta: “___ Temos aqui um personagem dos mais interessantes, não?”. Correto, mas o roteiro de Gilroy não o desenvolve de maneira cativante o bastante a ponto de fazer com que o espectador crie uma relação realmente forte com o mesmo. Não bastasse isso, a estória do longa é desenvolvida com a mesma frieza. Apesar de excelente, a trama se revela tão distante que por vários minutos senti-me perdido em meio à mesma. Com todos estes defeitos, o longa em questão se revela uma experiência interessante, mas está longe de ser tão magnífico quanto deveria.


 

Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.



   
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