Há cerca de um ou dois meses atrás havia feito um bolão da 80ª edição do Oscar, mas o
tempo passou, tive a oportunidade de assistir a muitíssimos filmes que estão
concorrendo as mais diversas premiações (apesar de ter que confessar
vergonhosamente que não conferi à maioria dos filmes que estão concorrendo) e
agora minha opinião mudou consideravelmente em relação a algumas premiações.
Neste bolão, não
só irei arriscar meus palpites como prováveis vencedores, como também irei
justificá-los, mencionar quais são os meus filmes prediletos em cada categoria
e quais têm chances de vencer, apesar de não terem o favoritismo ao seu lado.
Melhor Edição de Efeitos Sonoros:
Vencerá: “O Ultimato Bourne”.
Por que?: A
Academia de Artes e Ciências Cinematográficas costuma premiar os filmes mais
barulhentos do ano tanto nesta categoria quanto na categoria “Som”. “Transformers” certamente é mais barulhento que “O Ultimato Bourne”, mas como diria Meryl
Streep: “O Oscar é 90% de política e 10% de merecimento”. Política por
política, os membros da Academia jamais dariam três prêmios a um filme
comercial patético a lá “Transformers”
e tendo em vista que o longa de Michael Bay vencerá “Som” e “Efeitos Visuais”,
provavelmente não ficará com “Efeitos
Sonoros”, sendo que este passará às mãos de “O Ultimato Bourne”.
Deveria vencer:
“Transformers”.
Por que?: O
filme de Michael Bay é altamente frívolo do ponto de vista artístico, mas não
resta dúvidas de que é perfeito se analisarmos “Efeitos Visuais”, “Som”
e, é claro, “Efeitos Sonoros”.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Transformers”.
Por que?: Porque
é excessivamente barulhento e a Academia costuma reconhecer isto nesta
categoria.
Melhor Som:
Vencerá: “Transformers”
Por que?: Uma
vez que a Academia teria esnobado o filme de Bay na categoria “Efeitos Sonoros”, seria hora de
reconhecer as extrapolações em níveis de decibéis do mesmo e esta premiação
seria perfeita para isso.
Deveria vencer: “Transformers”
Por que?: Odiei
este filme. Para mim é mais uma porcaria, entre as outras que Michael Bay já
fez, mas não resta dúvidas de que o “Som”
do filme é sensacional, sendo assim, seria justo uma vitória dele nesta
categoria.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “O Ultimato
Bourne”
Por que?: Tendo
em vista que, ao lado de “Transformers”,
é o filme mais barulhento do ano, este encerramento de trilogia sem dúvida
alguma tem grandes chances, mas o longa de Bay é superior neste quesito.
Melhor Trilha-Sonora:
Vencerá: “Desejo e Reparação”
Por que?: A
trilha-sonora se mescla muito bem com o filme em questão e confere ritmo ao
mesmo. Isto sem contar que o mesmo, apesar de ter sido indicado em diversas
categorias, não deverá levar muitos prêmios para casa, ficando com este como
uma espécie de: “prêmio de consolação”.
Deveria vencer:
“Os Indomáveis”
Por que?:
Confesso que aqui estou sendo deveras subjetivo. Sou fã incondicional de
“westerns” (me arrepio só de me lembrar dos filmes de Sergio Leone) e uma das
maiores qualidades deste gênero de filme reside em sua trilha-sonora. A
trilha-sonora deste “Os Indomáveis”
nem de longe nos lembra a clássicos fabulosos e absolutos, tais como “Três Homens em Conflito” e “Por Uns Dólares a Mais”, mas sem dúvida
alguma se mescla muito bem com a imagem do filme em questão, sendo uma das maiores
qualidades do mesmo.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “O Caçador de Pipas”
Por que?: Não
vejo graça nenhuma nesta porcaria maquiada de filme belo, mas a Academia parece
nutrir uma certa simpatia pelo mesmo. Não fosse por “Desejo e Reparação”, o “prêmio
de consolação” certamente iria para este lixo cinematográfico conservador
de direita.
Obs.: “Ratatouille” também tem uma
trilha-sonora estupenda e tem chances de vencer, mas acredito que seja difícil
isto ocorrer.
Melhor Maquiagem:
Vencerá: “Norbit”.
Por que?: Não
resta dúvidas de que este filme seja uma porcaria em grandes proporções. A
maior prova disso é que a grande parte das pessoas que conheço gostaram do
mesmo e o bem da verdade é que a grande parte das pessoas que conheço são
completos idiotas alienados política e artisticamente falando. Contudo, a
maquiagem de “Norbit” é, no mínimo,
sensacional, pois é capaz de alterar o fenótipo de diversos atores da maneira
mais natural e imperceptível o possível. Infelizmente, um dos piores filmes do
ano, correrá sério risco de levar um troféu por debaixo do braço.
Deveria vencer:
“Piaf – Um Hino ao Amor”.
Por que?: A
maquiagem de “Piaf” não é tão
visualmente perfeita quanto à do péssimo “Norbit”,
mas se observamos com olhar artístico podemos ver que ela é muito mais
importante para o desenvolvimento do filme em questão que a bomba estrelada
(gargalhadas) pelo ator (gargalhadas) Eddie Murphy (se é que esta porcaria se
desenvolve de alguma forma).
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Piaf – Um
Hino ao Amor”.
Por que?: Pelos
mesmíssimos motivos supracitados.
Melhor Animação:
Vencerá: “Ratatouille”
Por que?: Pixar
e Brad Bird são os queridinhos da Academia nesta categoria. Isto sem contar que
o desenho por si só é fantástico e segue todos os requisitos que um vencedor
nesta categoria deve seguir. Outro ponto favorável desta ótima animação é a
ousadia da mesma que critica a rigidez nossa, de críticos de Cinema, utilizando
para isto a imagem do crítico de Culinária.
Deveria vencer:
“Ratatouille”
Por que?:
Simples, porque admito não ter assistido a “Persépolis”
e “Tá Dando Onda” ainda (vergonha) e
por este motivo só me resta apontar “Ratatouille”
como meu favorito.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Persépolis”.
Por que?: Na
verdade, esta animação tem quase tantas chances de vencer quanto o filme de
Brad Bird. A diferença é que o longa da Pixar obteve mais glamour que “Persépolis”
e por este motivo deverá vencer. Por outro lado, a produção francesa aborda um
tema politizado e isto lhe dará fortes chances de levar o Oscar, apesar de não
ser favorito.
Melhor Edição de Efeitos Visuais:
Vencerá: “Transformers”
Por que?: Como
já disse inúmeras vezes neste artigo, “Transformers”
é um filme pavoroso do ponto de vista artístico, mas se sai muito bem em outros
quesitos, dentre os quais, destaco Efeitos Visuais, quesito onde deixa seus
concorrentes no chinelo.
Deveria vencer:
“Transformers”
Por que?:
Conforme citei acima, “Transformers”
deixa seus concorrentes no chinelo neste quesito. É claro que os animais de “A Bússola de Ouro” e as batalhas de
“Piratas do Caribe – Parte III” são fantásticos, mas nada se compara ao longa
em questão.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “A Bússola
de Ouro”
Por que?: A
trilogia “Piratas do Caribe” já foi
reconhecida no ano passado levando um Oscar pelo seu segundo episódio (que, no
quesito efeitos visuais é, indiscutivelmente, o melhor de toda a trilogia) e
por este motivo não vencerá o prêmio sob hipótese alguma. “A Bússola de Ouro”, por si só, é um filme que conta com ótimos
efeitos visuais e tem alguma (na verdade, pouquíssima) chance contra “Transformers”.
Melhor Figurino:
Vencerá: “Desejo e Reparação”
Por que?:
Diferentemente da categoria “Melhor
Trilha-Sonora”, este prêmio, ao invés de “prêmio de consolação” seria uma
forma de reconhecer as tendências que o filme acabou lançando no quesito
vestuário, dentre as quais cito o vestido verde de Keira Knightley.
Deveria vencer:
“Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da
Rua Fleet”
Por que?: Adorei
o vestuário gótico-vitoriano (assim como tudo no filme é gótico-vitoriano)
deste longa. O figurino se assemelha de forma incrível com as vestimentas
daquela época. Isso sem contar que o decote de Helena Bonham Carter é
sensacional (Ah!!! Me excito só de lembrar).
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Piaf – Um
Hino ao Amor”
Por que?: Assim
como a maquiagem, o figurino é outra característica que torna este longa algo
acima da média, além de transferir uma forte dose de glamour ao mesmo. Não fosse por “Desejo e Reparação” eu não sei não...
Melhor Fotografia:
Vencerá: “O Assassinato de Jesse James pelo covarde
Robert Ford”
Por que?: Na
verdade estou com uma dúvida terrível entre este longa e “Desejo e Reparação”. Contudo, se Melhor Trilha-Sonora vai para o longa
de Wright como uma espécie de “prêmio de consolação”, creio que a mesmíssima
coisa ocorrerá com este “O Assassinato de
Jesse James...” nesta categoria de Melhor Fotografia, já que o longa também
é muito benquisto pela Academia e a mesma não deixará o mesmo sair de mãos
abanando.
Deveria vencer:
“O Assassinato de Jesse James pelo
covarde Robert Ford”
Por que?: Porque
a fotografia em si é estupendamente fantástica e confere uma beleza fora do
comum ao mesmo. A recriação do oeste longínquo, as paisagens, milharais
cobertos de neve, tudo isso é fantástico e faz do longa em questão um merecedor
deste prêmio.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Desejo e
Reparação” e “Sangue Negro”:
Ambos os filmes
estão sendo muito bem elogiados por críticos do mundo todo no que se refere ao
quesito fotografia, muitos inclusive, lançam os mesmos como prováveis
ganhadores do Oscar. A mim, não me surpreenderia nem um pouco caso um dos dois
faturasse o prêmio, apesar de achar “O
Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford” infinitamente superior
neste quesito.
Melhor Direção de Arte:
Vencerá: “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua
Fleet”
Por que?: A recriação
de uma Londres gótico-vitoriana atingiu os limites da perfeição e a Direção de
Arte fez o possível para proporcionar o clima psicótico-sútil que o roteiro do
filme exigia. Uma das categorias mais previsíveis até então.
Deveria vencer:
“Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da
Rua Fleet”
Por que?: Pelos
mesmíssimos motivos supracitados.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Sangue
Negro”
A Academia
parece ter adorado a recriação da Califórnia do início do Século XX demonstrada
neste filme, mas não tanto quanto adorou a recriação da Londres
gótico-vitoriana adotada em “Sweeney Todd
– O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”.
Melhor Montagem:
Vencerá: “Onde os Fracos Não Têm Vez”
Por que?: A
mesma estória narrada sob três perspectivas. Tudo para virar uma bagunça, não?
Errado, a montagem de “Onde os Fracos Não
Têm Vez” é competente o bastante para isso e certamente agradou os membros
da Academia.
Deveria Vencer:
“Onde os Fracos Não Têm Vez”
Por que?: Mesmo
não o considerando uma obra-prima, digo que “Onde os Fracos Não Têm Vez” é um filme fantástico e um de seus
melhores atributos reside na montagem que confere bastante ritmo ao mesmo. Sem
dúvida o Oscar para o filme dos Coen seria muitíssimo justo.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Sangue
Negro”
Por que?: Um
filme gigantesco com uma estória que narra a ganância humana parecem os
ingredientes perfeitos de uma obra cinematográfica cansativa. Acontece que a
Edição dinâmica deste “Sangue Negro”
em momento algum torna o filme cansativo. Mesmo não sendo tão perfeita quanto a
de seu maior concorrente neste Oscar, a edição do filme de Paul Thomas Anderson
é ótima e tem fortes chances de tirar o Oscar do filme dos Coen.
Melhor Roteiro Adaptado:
Vencerá: “Sangue Negro”
Por que?: A
Academia, assim como eu, parece considerar a maior qualidade de um filme a
maneira como o seu roteiro aborda o protagonista. Aqui a abordagem foi feita da
maneira mais convincente o possível, transformando Daniel Plainview em um
personagem tão marcante quanto Charles Foster Kane.
Deveria vencer:
“Sangue Negro”
Por que?:
Conforme mencionei acima, o roteiro de “Sangue
Negro” realiza com maestria a abordagem de seu protagonista. Assim como
outras grandes obras-primas do Cinema, “Sangue
Negro” é sublime ao iniciar um processo de construção e, logo em seguida,
destruição de seu protagonista.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Onde os
Fracos Não Têm Vez”
Por que?: O
roteiro dos Coen é dinâmico, revolucionário e inovador. Os membros da Academia
adoram indicar e até mesmo premiar filmes assim. Quer uma prova disso? Vide em
1.995 quando “Pulp Fiction” venceu
melhor roteiro original. O problema é que “Pulp
Fiction” não contava com um concorrente tão forte quanto “Sangue Negro”.
Melhor Roteiro Original:
Vencerá: “Juno”
Por que?: O
roteiro de “Juno” aborda um problema
contemporâneo altamente sério de maneira leve, inteligente, descompromissada e
divertida, assim como “Pequena Miss
Sunshine” (apesar de eu não gostar deste filme) fez no ano retrasado e
faturou este mesmíssimo prêmio. A vitória de “Juno” nesta categoria é uma das maiores certezas deste Oscar.
Deveria vencer:
“Juno”
Por que?:
Acredito já der dito inúmeras vezes que sou fã incondicional deste “Juno” mesmo reconhecendo que o longa
conta com uma série de defeitos. O seu roteiro é extremamente cativante,
simples e ao mesmo tempo reflexivo e inteligente. Os diálogos são ásperos e
dinâmicos, a abordagem da personagem também é muito convincente.
Inquestionavelmente merece levar o prêmio.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Conduta de
Risco”
Por que?: O
roteiro deste longa aborda um tema mais, digamos, politizado que “Juno” e apesar disto não ser pretexto o
bastante para faturar o prêmio, coloca o longa em questão em um patamar à
altura de seu maior concorrente.
Melhor Atriz Coadjuvante:
Vencerá: Tilda
Swinton por “Conduta de Risco”
Por que?: Ao
contrário de muitos cinéfilos que apostam todas as suas fichas em Cate Blanchett por
“Não Estou Lá”, eu acredito que Tilda
Swinton acabe faturando este prêmio como uma espécie de “prêmio de consolação”
(quantos “prêmios de consolação” teremos este ano, hein?) pelos Oscar que “Conduta de Risco” não irá levar.
Deveria vencer:
Saoirse Ronan por “Desejo e Reparação”
Por que?: Sou fã
incondicional de Cate Blanchett, mas ainda não assisti a “Não Estou Lá”. De resto, pude conferir as demais atuações e digo
que não gostei de nenhuma, inclusive a de Tilda Swinton que não me agradou nem
um pouco. A que menos me decepcionou foi Saoirse Ronan por “Desejo e Reparação”, sendo assim, fico
com ela mesmo.
Tem chances de
vencer, mas não é a favorita: Cate Blanchett por “Não Estou Lá”
Por que?:
Novamente invoco a frase de Meryl Streep: “Oscar é 90% de política e 10% de
merecimento”. Não assisti a “Não Estou Lá”,
como já disse antes, mas levando em conta que Cate Blanchett levou este mesmo
prêmio muito recentemente por “O Aviador”
duvido muito que ela fature-o novamente este ano, apesar de ter uma ou outra
esperança.
Melhor Ator Coadjuvante:
Vencerá: Javier
Bardem por “Onde os Fracos Não Têm Vez”
Por que?: Ao
lado de “Melhor Ator” este será o prêmio mais previsível do Oscar neste ano. Bardem
realmente fez por merecer e a badalação por trás de sua atuação é cada vez
maior (ao contrário do filme em que atuou). Dificilmente o ator perderá essa
disputa.
Deveria vencer:
Javier Bardem por “Onde os Fracos Não Têm
Vez”
Por que?: Seu
personagem em “Onde os Fracos Não Têm Vez”
é extremamente estereotipado e, não fosse a perfeita composição de Bardem, o
mesmo teria me irritado intensamente. O ator é, disparado, o melhor dentre os
demais candidatos e merece a premiação.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: Casey Affleck por “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”.
Por que?: Suas
chances são quase nulas, mas ainda assim é o único que, mediante um milagre,
poderia tirar o prêmio das mãos de Bardem. Sua atuação é muito boa, mas além
desta não se igualar a de Javier Bardem, sua carreira é curta demais para ser
agraciada com um prêmio desta qualidade.
Melhor Atriz:
Vencerá: Julie
Christie por “Longe Dela”
Porque?:
Lembro-me perfeitamente de ter indicado Marion Cotillard como favorita para o
Oscar, mas na época estava agindo mais com o coração que com a cabeça. Agora,
mais próximo do Oscar (que na verdade será hoje) vejo que Christie tem mais
chances que Cotillard. A atuação da francesa é superior que a de Christie, mas
não tem como negar o conservadorismo da Academia e a preferência dos membros da
mesma por uma atuação na língua inglesa. Isso sem contar que Christie foi
imortalizada por sua atuação marcante no sensacional “Dr. Jivago”, como Lara Antipova, fato que a transforma em uma das queridinhas da Academia.
Deveria vencer:
Marion Cotillard por “Piaf – Um Hino ao Amor”
Por que?: Mesmo
não sendo um grande fã de “Piaf” devo
reconhecer que a atuação de Cotillard foi magistral e extremamente cativante. A
maneira como encarna a protagonista é fantástica e digo que sua vitória é muito
mais merecida que a de Christie (que também se saiu muito bem, diga-se). Mas é
aquela velha estória de política e reconhecimento que Meryl Streep disse uma
vez e eu fiz tanta questão de relembrar durante este artigo.
Tem chances de
vencer, mas não é a favorita: Marion Cotillard por “Piaf – Um Hino ao Amor”
Por que?: Mesmo
não sendo uma atuação em língua inglesa, o trabalho de Cotillard aqui é
agraciado por críticos do mundo todo. Vale lembrar também que, vez ou outra, em
raríssimos casos, a Academia abandona o seu conservadorismo bairrista e opta por
fazer justiça, mas duvido muito que isso realmente venha a acontecer.
Melhor Ator:
Vencerá: Daniel
Day-Lewis por “Sangue Negro”
Por que?:
Day-Lewis encarna seu personagem neste filme de forma tão fantástica que chegou
a ser comparado com a atuação de Orson Welles por “Cidadão Kane”. Isto sem contar que o ator é muito cultuado, mas
nunca levou um prêmio, sendo que este ano deverá ser feita a justiça. Um dos
Oscar mais previsíveis deste ano.
Deveria vencer:
Daniel Day-Lewis por “Sangue Negro”
Por que?: Para
mim, a melhor atuação masculina deste século. Só isto já basta.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: Jhonny Depp por “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”
Por que?: A
atuação de Depp foi fantástica, mas não chegou aos pés da de Day-Lewis. Mesmo
assim Depp, como sempre, se mostrou um ator versátil, realizando aqui uma de
suas melhores atuações. Isto sem contar que ele é outro ator cultuado que nunca
levou o prêmio da Academia. De qualquer forma, Day-Lewis não será derrotado de maneira
nenhuma.
Melhor Diretor:
Vencerá: Joel e
Ethan Coen por “Onde os Fracos Não Têm
Vez”
Por que?:
Ultimamente a Academia parece estar cada vez mais preocupada em reparar os
erros do passado e é óbvio que a mesma errou, e muito, com os irmãos Coen e
Paul Thomas Anderson. Sendo assim, os membros tentarão compensar ambos os
lados, conferindo Melhor Filme a um e Melhor Diretor a outro. Partindo dos
pressupostos de que “Sangue Negro”
vencerá Melhor Filme e de que este ano não teremos uma dobradinha que nem no
ano passado (Martin Scorsese e “Os
Infiltrados”), aposto em Joe e Ethan Coen para melhores diretores do ano.
Deveria vencer:
Joel e Ethan Coen por “Onde os Fracos Não
Têm Vez”
Por que?: O lado
bom de poder opinar subjetivamente é não ter de se apegar às politicagens e
conservadorismos da Academia. Longe de almejar compensar os Coen pela carreira
de ambos, conferiria o Oscar aos mesmos de maneira individual, sem pensar nos
trabalhos anteriores que eles fizeram. A direção destes em “Onde os Fracos Não Têm Vez” foi
realmente a melhor do ano, tanto no que diz respeito à condução da estória,
quanto na movimentação das câmeras, condução de elenco e criação de ângulos sensacionais.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: Paul Thomas Anderson por “Sangue Negro”
Por que?: Como
havia dito, creio que seja muito difícil termos uma dobradinha este ano entre Melhor
Diretor e Melhor Filme. Caso os críticos prefiram votar em “Onde os Fracos Não Têm Vez”, em virtude à
badalação por trás deste, creio que Melhor Diretor ficaria para Paul Thomas
Anderson, como uma forma extremamente politizada de compensar um, na medida em
que tirou do outro.
Melhor Filme:
Vencerá: “Sangue Negro”
Por que?: Enfim
a categoria mais aguardada e, por que não dizer, mais imprevisível. A maioria
das pessoas aposta em “Onde os Fracos Não
Têm Vez” devido à badalação que o mesmo vinha tendo nos últimos meses. O
problema é que tal badalação vem esfriando cada vez mais, a ponto de o filme
ter sido parcialmente esquecido nesta reta final. Por outro lado, “Sangue Negro” foi o último indicado a
Melhor Filme a estrear e isso conferiu um forte fôlego ao mesmo. Isso sem
contar que “Onde os Fracos Não Têm Vez”
é um filme inovador demais para receber um Oscar de Melhor Filme, ao passo que “Sangue Negro” segue mais os padrões da
Academia.
Deveria vencer: “Sangue Negro”
Por que?:
Simplesmente porque é uma das melhores obras cinematográficas lançadas neste
novo milênio. O filme é fantástico, não é tão inovador quanto “Onde os Fracos Não Têm Vez”, mas
certamente marcará muito mais época que este. Daqui a trinta anos todos se
lembrarão de “Sangue Negro”, todos se
lembrarão de Daniel Day-Lewis, ao passo que “Onde os Fracos Não Têm Vez” e Javier Bardem serão lembrados a
daqui, no máximo, dez anos. O “Cidadão
Kane” do Século XXI não pode ficar sem o Oscar de Melhor Filme de jeito
nenhum.
Tem chances de
vencer, mas não é o favorito: “Onde os
Fracos Não Têm Vez”
Por que?: Uma
coisa é óbvia no Oscar deste ano: a disputa está nas mãos de “Sangue Negro” e “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Talvez, em virtude desta briga entre
ambos, “Conduta de Risco” possa abrir
alguma vantagem, mas eu sinceramente duvido muito que isto venha
acontecer. Como já disse inúmeras vezes, a Academia irá, nesta 80ª edição do
Oscar, reparar os erros que já cometeu contra Anderson e os Coen, portanto,
caso “Sangue Negro” perca a disputa,
o prêmio certamente irá para os Coen.
|