Ai, ai, ai... de que maneira eu poderia me desculpar com relação aos
inúmeros erros que tive em minha previsão para os vencedores do Oscar
2008®? Eu bem que poderia dizer que muitos filmes ganharam
inesperadamente, o que de fato ocorreu, mas acredito que grande parte
de meus erros tenha ocorrido em razão a minha teimosia. Tudo realmente
indicava que “Onde os Fracos Não Têm Vez” iria levar os prêmios de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e até mesmo Montagem, que acabou perdendo para “O Ultimato Bourne”
(esta que, para mim, fôra a maior surpresa de todo o Oscar®), mas ainda
assim decidi apostar numa surpreendente e, por que não dizer,
improvável vitória de “Sangue Negro” nesta reta final.
O
resultado é que o filme dos Coen, assim como todos esperavam (salvo
esta mula teimosa que vos escreve), foi o grande destaque da noite do
Oscar® e faturou quase todos os principais prêmios.
O que achei da premiação? Justa, até certo ponto. É óbvio que em virtude de meu fanatismo incondicional por “Sangue Negro” estava torcendo pela obra-prima de Paul Thomas Anderson, mas o fato de “Onde os Fracos Não Têm Vez” ter levado o prêmio não me deixou necessariamente magoado (decepcionado, viria mais a calhar nesta hora).
O
fato de um filme extremamente inovador ter levado o prêmio principal
demonstra que, felizmente, a Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas não está mais tão conservadora quanto antigamente.
Sempre disse que “Sangue Negro” era um filme mais redondinho e tinha mais a cara de Oscar® que “Onde os Fracos Não Têm Vez”,
mas a vitória do filme dos Coen sobre a obra de Anderson demonstrou, ao
menos, que os membros da Academia estão valorizando cada vez mais os
projetos ousados e arriscados.
Outro
acontecimento que me deixou extremamente satisfeito na referida noite
foi a vitória de Marion Cotillard sobre Julie Christie. Ambas as
atrizes se saíram muitíssimo bem em seus respectivos filmes e mereciam
a vitória, contudo, seguindo a lógica de que o bairrismo e o ufanismo
dos membros da Academia chega a ser exacerbado, era muito mais provável
a vitória de Julie Christie, que fez uma atuação em língua inglesa.
Felizmente os votantes decidiram fazer justiça e premiaram Cotillard,
que se mostrou um pouco mais competente que Christie em sua composição.
De uma só vez matou-se dois coelhos com uma cajadada só, a Academia
esqueceu-se da fama que possui de proteger sempre os seus queridinhos
(no caso, Christie) e decidiu premiar uma atriz que, individualmente
falando e esquecendo-se de sua carreira e da carreira de sua
concorrente, mereceu levar o prêmio para casa e esqueceu-se também da
fama de bairrista, que só premia atores e atrizes que compõem papéis em
língua inglesa, não levando em conta o talento destes (lembram de
quando Fernanda Montenegro perdeu o Oscar® para a apenas razoável
Gwyneth Paltrow?).
Nem
tão imprevisível quanto o prêmio de Melhor Atriz foi o prêmio de Melhor
Roteiro Original. Para ser sincero, era bem previsível a vitória de
Diablo Cody, mas a verdade é que sempre ficávamos com um pé atrás
graças ao passado da roteirista. Todos sabem o quão conservadores são
os votantes e o quanto eles repudiam pessoas e/ou atos que fujam dos
princípios da moral cristã e/ou judia (no caso, judia viria mais a
calhar, tendo em vista que a maior parte dos membros que constituem a
Academia de Artes e Ciências Cinematográficas seguem tal religião) e,
mesmo tendo todo o favoritismo a seu lado, foi surpreendente vermos uma
ex-stripper recebendo um prêmio tão importante em uma cerimônia tão conservadora como é o Oscar®.
Em
suma, fiquei deveras decepcionado com alguns resultados da 80ª festa de
entrega do Oscar® (fiquei mais decepcionado ainda com os inúmeros erros
de dedução que tive ao elaborar meus palpites sobre os prováveis
vencedores), mas no geral, gostei, e muito, de ver os membros da
Academia inovando e deixando o seu característico conservadorismo de
lado.
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