
Compreenda melhor o nosso método de avaliação.
Completando a
minha saga de assistir a filmes cujos protagonistas se revelam altamente
subversivos decidi assistir a este sensacional e recente “Na Natureza Selvagem”. Confesso ser um pouco suspeito para falar de
tal filme, pois ele reúne tudo o que mais me chama a atenção em uma obra
cinematográfica: um personagem idealista e desregrado a bens mateirias, uma
trilha sonora composta e interpretada pelo líder de uma de minhas bandas
prediletas (no caso o intérprete é Eddie Vedder, líder da banda Pearl Jam) e ideais
niilistas passivos abordados e debatidos de uma maneira raramente vista em Hollywood. Isso
sem contar o espírito aventureiro do protagonista, que condiz completamente com
a minha personalidade (mesmo sendo sedentário ao extremo, sinto que há um viajante
incansável dentro de mim).
Sinopse: Traumatizado
com as sérias discussões dos pais por motivos financeiros e completamente
indisposto a levar uma vida “normal” como a maioria das pessoas o fazem, Christopher
McCandless (Emile Hirsch) abandona toda a vida confortável que possuía e parte
em uma viagem rumo ao Alasca, local em que pretende viver o resto de seus dias,
longe da civilização e de bens materiais, convivendo unicamente com a natureza
selvagem. Baseado em fatos reais.
Crítica:
Da mesma forma
que considero o magnífico “Clube da Luta”
o maior e mais aprofundado estudo sobre o niilismo ativo que o Cinema já
produziu, passo a considerar este “Na
Natureza Selvagem” o maior e mais aprofundado estudo sobre o niilismo
passivo que a sétima Arte já realizou. Baseado na estória real de Christopher
McCandless (Emile Hirsch em uma atuação ainda mais impecável que a realizada no
ótimo “Alphadog”), o roteiro do filme
se mostra extremamente sublime não só na construção de seu protagonista, como
também na construção dos personagens secundários (que são muito numerosos e
todos bastante interessantes), na elaboração dos motivos que realmente levaram
Chris a cometer tal ato “insano” (se é que se pode alcunhar de insano tal ato)
e no desenvolvimento da estória em si, tal como a brilhante decisão de
dividi-la em capítulos cujos títulos nos remete à sensação do nascimento e amadurecimento
de um novo ser dentro do protagonista. Por exemplo, quando Chris decide dar
intróito a este novo estilo de vida que almejou seguir, o capítulo I do filme
recebe a alcunha de “Nascimento”, ao passo que, o último capítulo, que é
justamente quando o personagem atinge o auge de sua aventura, ou seja,
amadurece ao extremo, recebe o título de “Sabedoria”. A estrutura narrativa do
filme também é um espetáculo a parte e opta inteligentemente por alternar entre
seguir uma seqüência linearmente episódica enquanto narra a estória principal
do longa e uma estrutura não-linear quando mostra, através de flashbacks¸ o passado de Chris,
realizando um amplo estudo dos motivos que o levou a tomar tais decisões no
início de sua vida adulta. A fotografia de “Na
Natureza Selvagem” é, disparada, uma das maiores qualidades do longa e é
ainda mais engrandecida devido à direção magnífica de Sean Pean. E falando em Pean,
o diretor realiza aqui um trabalho digno do Oscar que nem ao menos concorreu, ofertando
ao público uma direção ágil, revolucionária e repleta de deeps, horizontals e verticals travelings. O melhor road-movie
que já tive a oportunidade de assistir.
Avaliação Final:
10,0 na escala de 10,0.
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